USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Os pais de um garoto de 13 anos e 7 meses de idade trazem no em uma consulta de rotina em uma unidade de saúde da família. Os pais demonstraram grande preocupação com a altura do filho, já que ele sempre foi o mais baixo da sala de aula da escola. A mãe conta que a gestação do menino ocorreu muito bem, sem intercorrências. O parto foi normal, a termo, sem intercorrências, peso ao nascimento 3180 gramas, comprimento 49 cm, PC 33 cm, Apgar 9/10. A criança apresentou o desenvolvimento neuropsicomotor adequado. Fica resfriado com uma frequência alta segundo a opinião dos pais. Sem outras doenças prévias, uso de medicamentos ou cirurgias. História familiar sem informações relevantes. EF: sem alterações dignas de nota, genitália masculina típica, estadiamento de Tanner G2P2, exame de idade óssea 11 anos, Calculada a altura alvo do garoto através das alturas dos pais. Avaliado o gráfico de crescimento do paciente desenhado acima, qual o diagnóstico provável do paciente?
Baixa estatura + Idade óssea atrasada + Puberdade atrasada + Curva de crescimento paralela ao percentil inferior = Baixa Estatura Constitucional.
A baixa estatura constitucional é caracterizada por um atraso no crescimento e no desenvolvimento puberal, com idade óssea atrasada em relação à idade cronológica, mas com velocidade de crescimento normal para a idade óssea. O paciente segue uma curva de crescimento abaixo do percentil 3, mas paralela, e atinge a altura alvo familiar, apenas mais tarde.
A baixa estatura constitucional (BCC) é a causa mais comum de baixa estatura em crianças e adolescentes, caracterizada por um atraso temporário no crescimento e no desenvolvimento puberal. É uma variante normal do crescimento, não uma doença. Crianças com BCC geralmente nascem com peso e comprimento normais, mas desaceleram o crescimento nos primeiros anos de vida, mantendo-se abaixo do percentil 3, porém com velocidade de crescimento normal para a idade óssea. O diagnóstico da BCC é de exclusão, após descartar outras causas patológicas de baixa estatura. Os achados típicos incluem: história familiar de atraso puberal, idade óssea atrasada em relação à idade cronológica, início tardio da puberdade (estadiamento de Tanner atrasado) e uma curva de crescimento que, embora abaixo do normal, é paralela aos percentis inferiores. A altura final geralmente se encontra dentro da faixa da altura alvo familiar. O manejo da BCC consiste principalmente em tranquilizar os pais e o paciente, explicando que é uma condição benigna e que a criança atingirá a altura adulta esperada, embora mais tarde. Não há necessidade de tratamento hormonal, como hormônio do crescimento, pois a deficiência não existe. O acompanhamento regular da curva de crescimento e da progressão puberal é importante para monitorar a evolução e descartar outras condições que possam se manifestar de forma semelhante.
Na baixa estatura familiar, a idade óssea é compatível com a idade cronológica e a puberdade ocorre no tempo esperado. Na constitucional, há atraso da idade óssea e da puberdade. Ambas têm altura final dentro da altura alvo.
A idade óssea é um indicador da maturação biológica. Um atraso significativo da idade óssea em relação à idade cronológica, em um contexto de baixa estatura, sugere um atraso constitucional do crescimento e puberdade.
Geralmente não. É uma variação normal do crescimento, e a criança atingirá uma altura final dentro da faixa familiar, apenas mais tarde. O manejo é tranquilizar os pais e monitorar o crescimento e desenvolvimento.
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