UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2020
Adolescente de 11 anos, previamente hígida, é levada para atendimento com queixa de que se acha muito baixa. Não há história de internações prévias. Nega menarca ou sexarca. Ao exame, está em bom estado geral, com ectoscopia normal e sem alterações no exame dos aparelhos cardiovascular e respiratório. O exame do abdômen é normal; orofaringe e genitália sem alterações; presença de broto mamário e ausência de pelos pubianos. Ao plotar suas medidas no gráfico, encontra-se com estatura para idade entre os Z escore -2 e -3 e com IMC para idade entre os Z escore -1 e -2. O alvo genético está no Z escore -1. A radiografia de mão e punho esquerdos revela idade óssea de 9 anos. O provável diagnóstico e desfecho da estatura na vida adulta, respectivamente, são:
Baixa estatura constitucional: idade óssea atrasada, puberdade atrasada, estatura final normal.
A baixa estatura constitucional (ou atraso constitucional do crescimento e puberdade) é uma variante normal do crescimento caracterizada por estatura abaixo do percentil 3, idade óssea atrasada em relação à idade cronológica, puberdade tardia e uma velocidade de crescimento normal para a idade óssea. O desfecho é uma estatura final dentro do alvo genético, ou seja, normal na vida adulta.
A baixa estatura é uma queixa comum na pediatria e na endocrinologia pediátrica, exigindo uma investigação cuidadosa para diferenciar variantes normais do crescimento de condições patológicas. Entre as variantes normais, a baixa estatura constitucional (também conhecida como atraso constitucional do crescimento e puberdade) é uma das mais frequentes, caracterizada por um padrão de crescimento e desenvolvimento que ocorre mais lentamente do que a média, mas que, ao final, resulta em uma estatura adulta normal. O diagnóstico da baixa estatura constitucional baseia-se em uma combinação de achados clínicos e radiológicos. A criança apresenta estatura abaixo do percentil 3 para a idade cronológica, mas com uma velocidade de crescimento normal para a idade óssea. A idade óssea, avaliada por radiografia de mão e punho esquerdos, está atrasada em relação à idade cronológica. Além disso, o início da puberdade é tardio, e a estatura final adulta geralmente se alinha com o alvo genético calculado a partir da estatura dos pais. No caso apresentado, a adolescente de 11 anos com broto mamário (Tanner M2) e ausência de pelos pubianos (P1), estatura entre Z-score -2 e -3, idade óssea de 9 anos e alvo genético no Z-score -1, se encaixa perfeitamente nesse quadro. É fundamental diferenciar a baixa estatura constitucional de outras causas de baixa estatura, como a baixa estatura familiar (onde a idade óssea e a puberdade são normais, mas o alvo genético é baixo) e condições patológicas (deficiência de GH, hipotireoidismo, síndromes genéticas, etc.). O prognóstico da baixa estatura constitucional é excelente em termos de estatura final, que será normal. O manejo consiste principalmente em tranquilizar a família e monitorar o crescimento e o desenvolvimento puberal, sem a necessidade de intervenções hormonais, a menos que haja um impacto psicossocial significativo ou um atraso puberal extremo.
Os critérios incluem estatura abaixo do P3, idade óssea atrasada em relação à idade cronológica, velocidade de crescimento normal para a idade óssea, atraso no início da puberdade e, geralmente, uma estatura final adulta dentro do alvo genético.
A idade óssea atrasada é um marcador chave. Ela indica que o potencial de crescimento ainda não se esgotou, permitindo que a criança continue crescendo por mais tempo e, eventualmente, atinja uma estatura final normal, mesmo que mais tardiamente.
Indivíduos com baixa estatura constitucional geralmente atingem uma estatura final adulta normal, dentro do seu alvo genético. O crescimento é apenas atrasado, mas o potencial genético é alcançado, embora a puberdade e o estirão de crescimento ocorram mais tarde.
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