USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019
Menina 5 anos, eutrófica, vai mudar para os Estados Unidos e a mãe pediu ao pediatra para fazer um check-up. Todos os exames estão normais exceto a cultura de urina, colhida por jato médio, que revelou mais de 100.000 UFC/mL de Escherichia coli. Optado por repetir a urocultura, 15 dias depois, que revelou o mesmo resultado.Com relação à situação acima, a conduta mais adequada seria:
Bacteriúria assintomática em criança eutrófica sem ITU prévia → Não tratar, apenas seguimento.
Em crianças assintomáticas, a bacteriúria significativa (≥100.000 UFC/mL) sem sintomas de infecção do trato urinário (ITU) é considerada bacteriúria assintomática. Nesses casos, especialmente em meninas eutróficas sem histórico de ITU, o tratamento antibiótico não é recomendado, sendo o seguimento clínico a conduta mais adequada.
A bacteriúria assintomática (BA) é a presença de bactérias na urina em quantidades significativas, detectada por urocultura, na ausência de sintomas clínicos de infecção do trato urinário (ITU). Em crianças, especialmente meninas em idade pré-escolar e escolar, a BA é uma condição relativamente comum e benigna. A compreensão de sua fisiopatologia e o manejo adequado são cruciais para evitar intervenções desnecessárias e o desenvolvimento de resistência antimicrobiana. A fisiopatologia da BA envolve a colonização do trato urinário por bactérias, mais frequentemente Escherichia coli, sem que haja uma resposta inflamatória significativa do hospedeiro que leve a sintomas. O diagnóstico é feito pela detecção de ≥100.000 UFC/mL de um único patógeno em duas uroculturas consecutivas, colhidas por jato médio, em uma criança completamente assintomática. É fundamental diferenciar a BA de uma ITU sintomática, onde a presença de febre, disúria, polaciúria ou dor abdominal/lombar justificaria o tratamento. A conduta mais adequada para a bacteriúria assintomática em crianças saudáveis, sem fatores de risco (como anomalias congênitas do trato urinário, refluxo vesicoureteral grave ou imunodeficiência), é o seguimento clínico sem tratamento antibiótico. Estudos demonstraram que o tratamento não oferece benefícios na prevenção de ITU sintomáticas ou no desenvolvimento de cicatrizes renais, e pode, inclusive, aumentar o risco de resistência bacteriana. A puericultura regular é suficiente para monitorar a criança.
Bacteriúria assintomática em crianças é definida pela presença de crescimento bacteriano significativo na urocultura (geralmente ≥100.000 UFC/mL de um único patógeno, como E. coli) em duas amostras consecutivas, na ausência de quaisquer sintomas de infecção do trato urinário (ITU).
O tratamento da bacteriúria assintomática em crianças saudáveis, sem fatores de risco ou histórico de ITU, não demonstrou reduzir a incidência de ITU sintomática, prevenir dano renal ou melhorar o prognóstico a longo prazo. Além disso, pode promover resistência antimicrobiana e efeitos adversos dos antibióticos.
A investigação e o tratamento podem ser considerados em situações específicas, como em crianças com anomalias urológicas significativas (por exemplo, refluxo vesicoureteral grave), imunocomprometidas, ou antes de procedimentos urológicos invasivos. No entanto, para crianças saudáveis, o seguimento clínico é a regra.
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