SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2023
Uma paciente de 24 anos de idade, de origem africana com diagnóstico de anemia falciforme, assintomática, durante avaliação pré-natal de rotina efetuada na 14a semana gestacional, apresenta bacteriúria assintomática > 105 UFC/mL. Acerca desse caso clínico, assinale a alternativa que indica, respectivamente, o microrganismo mais provável na urocultura e a terapêutica empírica.
Bacteriúria assintomática na gestação: E. coli é o mais comum; tratar com nitrofurantoína (evitar no 1º tri e termo).
A bacteriúria assintomática é comum na gestação e deve ser rastreada e tratada para prevenir pielonefrite. O microrganismo mais frequente é a Escherichia coli. A nitrofurantoína é uma opção terapêutica segura na maioria da gestação, mas deve ser evitada no primeiro trimestre (risco teórico de defeitos) e no final do terceiro trimestre (risco de anemia hemolítica neonatal em deficiência de G6PD).
A bacteriúria assintomática (BA) é definida pela presença de bactérias na urina em quantidades significativas (≥ 10^5 UFC/mL em urocultura de jato médio), sem sintomas de infecção do trato urinário (ITU). Na gestação, a prevalência de BA é de 2-10%, e seu rastreamento e tratamento são mandatórios devido ao alto risco de progressão para pielonefrite aguda (20-30% dos casos não tratados), uma complicação grave que pode levar a parto prematuro, baixo peso ao nascer, anemia materna e sepse. O microrganismo mais frequentemente isolado na BA em gestantes é a Escherichia coli, responsável por cerca de 80-90% dos casos, seguida por Klebsiella pneumoniae, Proteus mirabilis e Staphylococcus saprophyticus. A escolha do antibiótico empírico deve considerar a segurança fetal e a eficácia contra os uropatógenos mais comuns. A nitrofurantoína é uma opção segura e eficaz no segundo trimestre da gestação, como no caso da paciente na 14ª semana. No entanto, é geralmente evitada no primeiro trimestre devido a um risco teórico de defeitos congênitos (embora controverso) e no final do terceiro trimestre (após 36 semanas) devido ao risco de anemia hemolítica no neonato, especialmente em casos de deficiência de G6PD. A paciente com anemia falciforme tem um risco aumentado de infecções, incluindo ITUs, devido a fatores como imunossupressão funcional e nefropatia falciforme. Portanto, o manejo adequado da BA é ainda mais crítico nessa população. O tratamento empírico deve ser iniciado após a coleta da urocultura e ajustado conforme o antibiograma. A duração do tratamento geralmente é de 3 a 7 dias, com urocultura de controle para confirmar a erradicação da bactéria.
As alterações fisiológicas da gravidez, como dilatação dos ureteres, estase urinária e glicosúria, favorecem o crescimento bacteriano e aumentam o risco de infecções do trato urinário, incluindo a bacteriúria assintomática.
O tratamento é crucial para prevenir a progressão para infecções sintomáticas, como cistite e, principalmente, pielonefrite aguda, que pode levar a complicações graves como parto prematuro, baixo peso ao nascer e sepse materna.
Antibióticos seguros incluem cefalexina, amoxicilina-clavulanato, fosfomicina e nitrofurantoína. A nitrofurantoína é geralmente evitada no primeiro trimestre e próximo ao termo devido a riscos teóricos, mas é uma boa opção no segundo trimestre.
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