Bacteriúria Assintomática na Gravidez: Diagnóstico e Tratamento

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2019

Enunciado

Mulher, 20a, G1A0P0C0 com idade gestacional de 28 semanas, comparece à consulta de pré-natal sem queixas, trazendo exames. Exame sumário de urina: 20.000 leucócitos/ml; 3.000 hemácias/ml; bactérias numerosas e células epiteliais numerosas; Urocultura: Escherichia coli com contagem de colônias > 10⁵ ufc/ml. ODIAGNÓSTICO E A CONDUTA SÃO:

Alternativas

  1. A) Bacteriúria assintomática; não há necessidade de tratamento.
  2. B) Cistite; deve ser considerada terapêutica via oral.
  3. C) Cistite; repetir urocultura para confirmar diagnóstico.
  4. D) Bacteriúria assintomática; tratamento pelo risco de pielonefrite.

Pérola Clínica

Gestante com urocultura > 10⁵ ufc/ml (E. coli) sem sintomas = Bacteriúria Assintomática → TRATAR.

Resumo-Chave

A bacteriúria assintomática na gravidez é definida pela presença de bactérias significativas na urina (> 10⁵ ufc/ml) sem sintomas de infecção urinária. É uma condição que deve ser sempre tratada devido ao alto risco de progressão para pielonefrite, parto prematuro e baixo peso ao nascer.

Contexto Educacional

A bacteriúria assintomática (BA) é a presença de bactérias em quantidade significativa na urina sem sintomas de infecção urinária. É particularmente relevante na gravidez, afetando cerca de 2-10% das gestantes. O rastreamento é recomendado na primeira consulta de pré-natal e, em alguns protocolos, repetido no segundo trimestre, devido ao risco aumentado de complicações. A fisiopatologia envolve alterações anatômicas e funcionais do trato urinário na gravidez (dilatação ureteral, estase urinária) e imunossupressão fisiológica, que favorecem a ascensão bacteriana e o desenvolvimento de infecções. O diagnóstico é feito por urocultura com contagem de colônias ≥ 10⁵ ufc/ml de um único patógeno (geralmente Escherichia coli). O tratamento da BA na gravidez é mandatório, mesmo na ausência de sintomas, para prevenir pielonefrite aguda, que pode levar a sepse materna, anemia, restrição de crescimento fetal e parto prematuro. A terapia geralmente consiste em um curso curto de antibióticos orais seguros na gravidez, como cefalexina, amoxicilina ou nitrofurantoína (com ressalvas no final da gestação). Após o tratamento, uma urocultura de controle é recomendada para confirmar a erradicação da bactéria.

Perguntas Frequentes

Qual o critério diagnóstico para bacteriúria assintomática em gestantes?

O critério diagnóstico é a presença de contagem de colônias de bactérias ≥ 10⁵ ufc/ml em urocultura de amostra de urina de jato médio, na ausência de sintomas urinários.

Por que a bacteriúria assintomática deve ser tratada na gravidez?

Deve ser tratada devido ao alto risco de progressão para pielonefrite aguda (20-30%), que pode levar a complicações maternas (sepse, anemia) e fetais (parto prematuro, baixo peso ao nascer).

Quais antibióticos são seguros para tratar bacteriúria assintomática na gravidez?

Antibióticos seguros incluem nitrofurantoína (evitar no terceiro trimestre), amoxicilina, cefalexina e fosfomicina. A escolha deve considerar o perfil de sensibilidade da bactéria e o trimestre da gestação.

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