Bacteriúria Assintomática na Gravidez: Diagnóstico e Tratamento

SMS Goiânia - Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (GO) — Prova 2020

Enunciado

Poliana está em seguimento do seu pré-natal na UBS. Está com idade gestacional de 10 semanas e 3 dias, segundo a data da última menstruação. Veio a esta consulta dizendo estar bem, apenas com náuseas e cefaleia ocasionais. Trouxe exames solicitados na consulta anterior, pelo enfermeiro da unidade. Os resultados são: Hb / Ht = 11,5 / 36,5; Glicemia de jejum = 80; Anti-HIV = não reagente; VDRL = não reagente; Tipagem sanguínea = O -; Coombs indireto = negativo; EAS = leucocitúria e flora bacteriana moderada; Urocultura = > 100.000 UFC/mL (E. coli); Diante do caso exposto, a melhor sugestão para Poliana seria:

Alternativas

  1. A) Tratar anemia por meio de sulfato ferroso 200 mg.
  2. B) Tratar bacteriúria assintomática com cefalexina 500 mg.
  3. C) Repetir coombs indireto a cada 2 semanas devido ao Rh negativo.
  4. D) Realizar teste de tolerância oral à glicose ainda no primeiro trimestre.

Pérola Clínica

Bacteriúria assintomática na gravidez DEVE ser tratada para prevenir pielonefrite.

Resumo-Chave

A bacteriúria assintomática é comum na gravidez e, se não tratada, aumenta significativamente o risco de pielonefrite, parto prematuro e baixo peso ao nascer. O tratamento com antibióticos seguros na gestação, como a cefalexina, é mandatório, mesmo na ausência de sintomas urinários.

Contexto Educacional

A bacteriúria assintomática (BA) é definida pela presença de bactérias na urina em quantidades significativas (> 100.000 UFC/mL em urocultura) sem a presença de sintomas de infecção do trato urinário (ITU). Na gravidez, a BA é uma condição de grande importância clínica e deve ser sempre rastreada e tratada. As alterações fisiológicas da gestação, como a dilatação do trato urinário e a estase urinária, predispõem as gestantes a um risco aumentado de progressão da BA para pielonefrite aguda, uma complicação grave que pode levar a sepse materna, parto prematuro e baixo peso ao nascer. O rastreamento da BA é feito rotineiramente no pré-natal, geralmente no primeiro trimestre, através da urocultura. Uma vez diagnosticada, o tratamento com antibióticos seguros para a gestação, como a cefalexina (cefalosporina de primeira geração), amoxicilina ou nitrofurantoína (com restrições no final da gestação), é mandatório e deve ser guiado pelo antibiograma, se disponível. As outras alternativas da questão são incorretas: a anemia de Poliana não é grave (Hb 11,5); o Coombs indireto negativo com Rh negativo indica que não há sensibilização, mas deve ser repetido mais tarde na gestação (não a cada 2 semanas); e o teste de tolerância oral à glicose é feito no segundo trimestre (24-28 semanas), não no primeiro.

Perguntas Frequentes

Qual a importância de rastrear e tratar a bacteriúria assintomática na gravidez?

O rastreamento e tratamento são cruciais porque a bacteriúria assintomática na gestação aumenta o risco de pielonefrite aguda (em até 30%), parto prematuro, baixo peso ao nascer e mortalidade perinatal. O tratamento reduz esses riscos significativamente.

Quais antibióticos são seguros e eficazes para tratar bacteriúria assintomática em gestantes?

Antibióticos como cefalexina, amoxicilina, nitrofurantoína (evitar no terceiro trimestre) e fosfomicina são considerados seguros e eficazes. A escolha deve ser guiada pelo perfil de sensibilidade da urocultura, se disponível.

Quando o teste de tolerância oral à glicose deve ser realizado na gravidez?

O teste de tolerância oral à glicose (TTOG) para rastreamento de diabetes gestacional é geralmente realizado entre a 24ª e a 28ª semana de gestação. Não há indicação para realizá-lo no primeiro trimestre, a menos que a paciente apresente fatores de risco muito elevados ou glicemia de jejum alterada.

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