ITU na Gestação: Diagnóstico e Tratamento Essencial

UNIRG Revalida - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2022

Enunciado

Gestante, G2PN1A0, com idade gestacional de 34 semanas e 2 dias, comparece ao pronto-socorro com queixa de disúria, polaciúria, febre e dor lombar iniciados hoje, sem perdas de líquidos por via vaginal ou outras queixas. Relata boa movimentação do bebê, ter ingerido menos alimentos do que o habitual. Exame ginecológico não revelou alterações. Realiza cardiotocografia com laudo de categoria I.A esse respeito, assinale a afirmativa correta.

Alternativas

  1. A) A gestante deve ser prontamente hospitalizada e tratada com cefalosporina de 2ª ou 3ª geração. Caso se mantenha afebril por 24 a 48 horas, pode receber alta hospitalar com antibioticoterapia por via oral, como cefalexina ou nitrofurantoína.
  2. B) Gestantes com bacteriúria assintomática, caracterizada por presença de ≥ 100.000 colônias/mL de um único agente patogênico na amostra de urina, devem ser obrigatoriamente tratadas com antibioticoterapia. Pode ser prescrita nitrofurantoína ou fosfomicina.
  3. C) Devem-se evitar sulfonamidas no tratamento de cistite aguda em gestantes, principalmente no 1º trimestre da gestação.
  4. D) A maioria dos episódios de nefrolitíase ocorrem no 2º ou no 3º trimestre, quando é maior a ectasia ureteral determinada pela compressão do útero gravídico. Isso se deve, em parte, às alterações metabólicas de redução do citrato e magnésio séricos, além da redução da calcemia materna.

Pérola Clínica

Bacteriúria assintomática na gestação = sempre tratar para prevenir pielonefrite e parto prematuro.

Resumo-Chave

A bacteriúria assintomática é comum na gestação e, se não tratada, aumenta significativamente o risco de pielonefrite, parto prematuro e baixo peso ao nascer. Por isso, o tratamento com antibióticos seguros na gestação, como nitrofurantoína (evitar 3º trimestre avançado) ou fosfomicina, é mandatório.

Contexto Educacional

As infecções do trato urinário (ITU) são as complicações infecciosas mais comuns na gestação, abrangendo desde a bacteriúria assintomática até a pielonefrite aguda. As alterações fisiológicas da gravidez, como a dilatação do trato urinário e a glicosúria, predispõem as gestantes a essas infecções. A não identificação e tratamento adequado podem levar a sérias complicações maternas e fetais, incluindo parto prematuro e sepse. A bacteriúria assintomática, definida pela presença de ≥ 100.000 colônias/mL de um único uropatógeno em urocultura sem sintomas, deve ser rastreada e tratada em todas as gestantes. A cistite aguda apresenta disúria, polaciúria e urgência. A pielonefrite aguda é uma condição mais grave, caracterizada por febre, dor lombar, náuseas e vômitos, exigindo internação e tratamento intravenoso. O tratamento da ITU na gestação deve ser guiado pela urocultura e antibiograma, mas o tratamento empírico inicial é frequentemente necessário. Antibióticos como cefalexina, amoxicilina e fosfomicina são geralmente seguros. A nitrofurantoína é uma boa opção, mas deve ser evitada no final da gestação. Sulfonamidas são contraindicadas no terceiro trimestre. O manejo adequado é crucial para prevenir a progressão da doença e melhorar os resultados materno-fetais.

Perguntas Frequentes

Por que a bacteriúria assintomática é tão importante na gestação e deve ser tratada?

A bacteriúria assintomática, se não tratada, evolui para cistite em 30% dos casos e para pielonefrite em 20-40% das gestantes, aumentando o risco de parto prematuro, baixo peso ao nascer e sepse materna. O tratamento previne essas complicações.

Quais antibióticos são seguros para tratar infecções do trato urinário na gestação?

Antibióticos seguros incluem cefalexina, amoxicilina, amoxicilina-clavulanato, fosfomicina e nitrofurantoína. A nitrofurantoína deve ser evitada no final da gestação (após 38 semanas) e as sulfonamidas no terceiro trimestre.

Qual a conduta inicial para uma gestante com diagnóstico de pielonefrite aguda?

Gestantes com pielonefrite aguda devem ser hospitalizadas para hidratação venosa, antibioticoterapia endovenosa (ex: cefalosporinas de 2ª ou 3ª geração) e monitoramento materno-fetal rigoroso, com reavaliação após 48-72 horas.

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