IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2020
Gestante de 18 anos de idade e idade gestacional de 16 semanas traz urocultura solicitada na rotina de pré-natal e está assintomática. A urocultura revela E. coll e contagem de colônias acima de 100.000 UFC/mL. Antibiograma não demonstrou resistência aos antibióticos testados. Para esse caso, assinale a conduta correta.
Bacteriúria assintomática na gestação SEMPRE tratar; Nitrofurantoína é opção segura no 1º e 2º trimestres.
A bacteriúria assintomática deve ser tratada em todas as gestantes devido ao alto risco de progressão para pielonefrite, parto prematuro e baixo peso ao nascer. A nitrofurantoína é uma opção segura e eficaz para o tratamento no primeiro e segundo trimestres, enquanto as quinolonas e sulfas (no terceiro trimestre) são contraindicadas.
A infecção do trato urinário (ITU) é a complicação bacteriana mais comum na gestação, e a bacteriúria assintomática (BA) afeta cerca de 2-10% das gestantes. A triagem universal para BA no pré-natal é recomendada, pois o tratamento reduz drasticamente o risco de pielonefrite e outras complicações. A fisiopatologia da maior suscetibilidade à ITU na gestação envolve alterações anatômicas e fisiológicas, como a dilatação dos ureteres (hidroureter e hidronefrose fisiológicos), diminuição do tônus da bexiga e aumento do pH urinário, que favorecem a estase urinária e o crescimento bacteriano. O diagnóstico de BA é feito pela urocultura com contagem de colônias ≥ 100.000 UFC/mL de um único patógeno, na ausência de sintomas. O tratamento é crucial para prevenir complicações. A escolha do antibiótico deve considerar a segurança fetal e o perfil de sensibilidade da bactéria. Nitrofurantoína e cefalexina são frequentemente as primeiras escolhas. As quinolonas são contraindicadas devido ao risco de artropatia fetal, e as sulfas devem ser evitadas no terceiro trimestre pelo risco de kernicterus. Após o tratamento, uma urocultura de controle é indispensável para confirmar a cura e, se necessário, instituir profilaxia. O prognóstico é bom com tratamento adequado, mas a falta de tratamento pode levar a desfechos adversos maternos e fetais.
A bacteriúria assintomática na gestação deve ser tratada porque aumenta significativamente o risco de desenvolver infecção urinária sintomática, especialmente pielonefrite aguda, que pode levar a complicações maternas e fetais graves, como parto prematuro e baixo peso ao nascer.
Antibióticos seguros incluem amoxicilina, cefalexina, fosfomicina e nitrofurantoína (evitar no terceiro trimestre devido ao risco de anemia hemolítica neonatal). As quinolonas são contraindicadas devido a riscos para o feto, e as sulfas devem ser evitadas no terceiro trimestre.
Sim, é fundamental realizar uma urocultura de controle 7 a 14 dias após o término do tratamento para confirmar a erradicação da bactéria. Isso ajuda a identificar falhas terapêuticas ou reinfecções e a guiar condutas adicionais.
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