Bacteriúria Assintomática na Gestação: Diagnóstico e Manejo

SMS Piracicaba - Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP) — Prova 2021

Enunciado

Na gestação, a bacteriuria assintomática:

Alternativas

  1. A) Significa que há colonização bacteriana sem inflamação e, portanto, é inócua
  2. B) Tem indicação de profilaxia antimicrobiana após o tratamento do segundo episódio
  3. C) Caracteriza-se por mais de 100.000 leucócitos/ml no exame de urina tipo 1
  4. D) É tratada com antibióticos orais durante 7 dias
  5. E) Deve ser tratada somente no terceiro trimestre para evitar infecções neonatal

Pérola Clínica

Bacteriúria assintomática na gestação → SEMPRE tratar. Recorrência → considerar profilaxia.

Resumo-Chave

A bacteriúria assintomática na gestação, apesar da ausência de sintomas, é um fator de risco significativo para pielonefrite aguda, parto prematuro e baixo peso ao nascer. Por isso, seu tratamento é mandatório. Em casos de recorrência, a profilaxia antimicrobiana contínua pode ser indicada para prevenir novos episódios.

Contexto Educacional

A bacteriúria assintomática (BA) é definida pela presença de crescimento bacteriano significativo em urocultura (geralmente ≥ 10^5 UFC/mL de um único patógeno) na ausência de sintomas de infecção do trato urinário (ITU). Na gestação, a prevalência de BA varia de 2% a 10%, e, ao contrário de mulheres não grávidas, seu tratamento é universalmente recomendado devido ao alto risco de progressão para pielonefrite e outras complicações. A fisiopatologia que justifica o tratamento da BA na gestação inclui as alterações anatômicas e fisiológicas da gravidez, como a dilatação do trato urinário, diminuição do tônus ureteral e vesical, e estase urinária, que favorecem a ascensão bacteriana e a proliferação. A pielonefrite aguda, uma complicação grave da BA não tratada, está associada a parto prematuro, baixo peso ao nascer, anemia materna, hipertensão induzida pela gravidez e sepse. O rastreamento da BA é realizado rotineiramente no primeiro trimestre da gestação por meio de urocultura. O tratamento inicial da BA é feito com um curso curto de antibióticos (3-7 dias), como cefalexina, amoxicilina-clavulanato ou nitrofurantoína (evitar no final da gestação em casos de deficiência de G6PD). Após o tratamento, uma urocultura de controle deve ser realizada para confirmar a erradicação da infecção. Se houver recorrência da BA ou de ITU sintomática, a profilaxia antimicrobiana contínua com doses baixas de antibióticos (ex: nitrofurantoína 100mg à noite) pode ser indicada para o restante da gestação, a fim de prevenir novos episódios e suas potenciais complicações.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a bacteriúria assintomática na gestação?

É a presença de bactérias na urina em quantidades significativas (≥ 100.000 UFC/mL em urocultura de amostra de jato médio), sem que a gestante apresente sintomas de infecção urinária.

Por que a bacteriúria assintomática deve ser tratada na gravidez?

O tratamento é mandatório porque, se não tratada, a bacteriúria assintomática aumenta significativamente o risco de pielonefrite aguda (20-30% dos casos), parto prematuro, baixo peso ao nascer e outras complicações materno-fetais.

Quando a profilaxia antimicrobiana é indicada para bacteriúria assintomática na gestação?

A profilaxia é geralmente considerada após o tratamento de um segundo episódio de bacteriúria assintomática ou ITU sintomática, para prevenir recorrências e reduzir o risco de pielonefrite.

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