Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2026
Primigesta, encontra-se na 12ª semana de gestação, em consulta de pré-natal traz urocultura positiva para E. coli sensível a todos os antibióticos descritos no antibiograma. Paciente refere que há 3 anos apresentou 3 episódios de cistite e uma pielonefrite, durante relacionamento com parceiro anterior. Nega disúria e refere corrimento genital branco inodoro. O diagnóstico mais provável, dentre os abaixo, é:
Urocultura (+) sem sintomas em gestante = Bacteriúria Assintomática → Tratar sempre!
A bacteriúria assintomática na gestação deve ser tratada obrigatoriamente para prevenir a progressão para pielonefrite e reduzir riscos de parto prematuro e baixo peso ao nascer.
A infecção do trato urinário (ITU) é uma das complicações médicas mais comuns da gestação. O rastreamento sistemático da bacteriúria assintomática é recomendado na primeira consulta de pré-natal ou entre a 12ª e 16ª semanas de gestação através da urocultura. Diferente da população geral, onde a bacteriúria assintomática raramente requer tratamento, na gestante a intervenção é mandatória devido às graves repercussões perinatais. O diagnóstico diferencial deve excluir a cistite aguda (que apresenta sintomas irritativos miccionais) e a pielonefrite (que apresenta febre, dor lombar e sinal de Giordano positivo). No caso clínico apresentado, a paciente possui urocultura positiva sem sintomas, o que define bacteriúria assintomática, independentemente de seu histórico prévio de ITUs de repetição ou pielonefrite fora do período gestacional. O corrimento branco inodoro relatado é frequentemente fisiológico na gestação devido ao aumento da vascularização vaginal e leucorreia gravídica.
A bacteriúria assintomática é definida pela presença de crescimento bacteriano em contagem igual ou superior a 100.000 unidades formadoras de colônias (UFC) por mL de um único patógeno em uma amostra de urina de jato médio, coletada de uma paciente que não apresenta sintomas clínicos de infecção do trato urinário (como disúria, polaciúria ou urgência).
Durante a gravidez, alterações anatômicas e fisiológicas, como a dilatação dos ureteres e da pelve renal (hidronefrose fisiológica) e o relaxamento da musculatura lisa ureteral induzido pela progesterona, facilitam a estase urinária e a ascensão bacteriana. Se não tratada, a bacteriúria assintomática progride para pielonefrite em até 40% dos casos, aumentando o risco de sepse materna, trabalho de parto prematuro e ruptura prematura de membranas.
O tratamento deve ser guiado pelo antibiograma. Opções seguras incluem a Nitrofurantoína (evitando-se no primeiro trimestre e próximo ao termo devido ao risco de anemia hemolítica fetal), Fosfomicina em dose única, Amoxicilina ou Cefalexina. Após o tratamento, é recomendada a realização de urocultura de controle (urocultura de seguimento) para garantir a erradicação da bactéria.
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