Bacteriúria Assintomática na Gestação: Conduta e Tratamento

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2023

Enunciado

Você atende uma paciente gestante que retorna na consulta de pré-natal para mostrar os resultados dos exames de pré-natal. Ela está com 8 semanas de gestação e não apresenta queixas. A Urocultura mostra presença de Escherichia Coli na quantidade de 100 mil UFC. Qual a sua conduta?

Alternativas

  1. A) Nitrofurantoína 100mg via oral de 6 em 6 horas por 7 dias.
  2. B) Expectante, pois trata-se de bacteriúria assintomática.
  3. C) Fosfomicina Trometamol 3gr via oral em dose única.
  4. D) Sulfametoxazol e Trimetropima 800/160 mg via oral de 12 em 12 horas.
  5. E) Norfloxacina 400mg via oral de 12 em 12 horas por 7 dias.

Pérola Clínica

Bacteriúria assintomática na gestação → TRATAR! Fosfomicina trometamol 3g dose única é opção segura.

Resumo-Chave

A bacteriúria assintomática na gestação deve sempre ser tratada devido ao alto risco de progressão para pielonefrite e outras complicações obstétricas, sendo a fosfomicina trometamol uma opção eficaz e segura em dose única.

Contexto Educacional

A bacteriúria assintomática (BA) é definida pela presença de bactérias na urina em quantidades significativas (≥ 100.000 UFC/mL em urocultura de jato médio), sem sintomas de infecção do trato urinário (ITU). Embora em mulheres não grávidas a BA geralmente não exija tratamento, na gestação a conduta é diferente e crucial. A prevalência de BA na gravidez é de 2-10%, e se não tratada, cerca de 20-30% das gestantes desenvolverão pielonefrite aguda, uma condição grave que pode levar a sepse materna, anemia, insuficiência respiratória e, para o feto, parto prematuro e baixo peso ao nascer. Portanto, o rastreamento da BA é parte integrante do pré-natal, geralmente realizado no primeiro trimestre com urocultura. Uma vez diagnosticada, a BA na gestação deve SEMPRE ser tratada. Os antibióticos escolhidos devem ser eficazes contra os patógenos urinários mais comuns (principalmente Escherichia coli) e seguros para a gestante e o feto. As opções de tratamento incluem: Fosfomicina Trometamol (3g, dose única, via oral) é uma excelente escolha devido à sua segurança, eficácia e conveniência. Nitrofurantoína (100mg, 6/6h por 7 dias) é outra opção, mas deve ser evitada no terceiro trimestre (risco de anemia hemolítica neonatal) e em gestantes com deficiência de G6PD. Cefalexina (500mg, 6/6h por 7 dias) também é segura e eficaz. Sulfametoxazol-Trimetoprima deve ser evitado no primeiro trimestre (risco teratogênico) e no terceiro trimestre (risco de kernicterus). Fluoroquinolonas (como Norfloxacina) são contraindicadas na gestação devido a potenciais efeitos adversos na cartilagem fetal. Após o tratamento, uma urocultura de controle é recomendada para confirmar a erradicação da bactéria.

Perguntas Frequentes

Por que a bacteriúria assintomática deve ser tratada na gestação?

Deve ser tratada devido ao alto risco de progressão para infecção urinária sintomática, especialmente pielonefrite, que pode levar a complicações maternas (sepse, anemia) e fetais (parto prematuro, baixo peso ao nascer).

Quais são os antibióticos de primeira linha para bacteriúria assintomática na gestação?

As opções de primeira linha incluem fosfomicina trometamol (dose única), nitrofurantoína (evitar no terceiro trimestre e em deficiência de G6PD) e cefalexina.

Qual a dose e via de administração da fosfomicina trometamol para bacteriúria assintomática?

A fosfomicina trometamol é administrada em dose única de 3 gramas, por via oral, sendo uma opção conveniente e com boa segurança na gestação.

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