Bacteriúria Assintomática na Gravidez: Conduta e Tratamento

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013

Enunciado

Secundigesta, com 18 semanas de idade gestacional, comparece à segunda consulta de prénatal em Unidade Básica de Saúde. Traz resultado de exame de urocultura com mais de 100 mil unidades formadoras de colônias bacterianas por mL. Nega queixas urinárias e febre. Ao exame físico: bom estado geral, corada, hidratada, eupneica, pressão arterial = 120 x 80 mmHg. Exame obstétrico: altura uterina de 17 cm, batimentos cardíacos fetais presentes, rítmicos, 136 batimentos por minutos. A conduta indicada é:

Alternativas

  1. A) Iniciar tratamento profilático com cefalosporina diariamente até o parto.
  2. B) Iniciar antibioticoterapia e repetir urocultura sete dias após o término do tratamento.
  3. C) Repetição da urocultura em duas semanas, pois o resultado sugere contaminação da amostra.
  4. D) Solicitar ultrassonografia das vias urinárias e realizar uroculturas bimensais para monitoramento do quadro.
  5. E) Solicitar sedimento urinário para confirmar infecção urinária e, se mostrar a presença de nitritos, iniciar tratamento.

Pérola Clínica

Gestante + Urocultura > 100.000 UFC (sem sintomas) = Tratar + Urocultura de controle.

Resumo-Chave

O tratamento da bacteriúria assintomática na gestação é obrigatório para prevenir complicações graves como pielonefrite, parto prematuro e baixo peso ao nascer.

Contexto Educacional

O rastreio de bacteriúria assintomática deve ser realizado em todas as gestantes na primeira consulta de pré-natal e repetido no terceiro trimestre. A Escherichia coli é o patógeno mais comum, responsável por cerca de 80% dos casos. O tratamento deve ser guiado pelo antibiograma, sempre respeitando a segurança fetal (evitando quinolonas e, no primeiro trimestre, sulfas). A persistência de uroculturas positivas após tratamentos adequados pode indicar a necessidade de profilaxia antibiótica contínua até o parto, visando reduzir a morbidade materno-fetal.

Perguntas Frequentes

Qual o critério diagnóstico para bacteriúria assintomática na gestante?

O diagnóstico é estabelecido pela presença de uma contagem de colônias igual ou superior a 100.000 Unidades Formadoras de Colônias (UFC) por mL de um único patógeno, em uma amostra de urina de jato médio, em uma paciente sem sintomas clínicos de infecção do trato urinário (como disúria, polaciúria ou urgência).

Por que tratar se a paciente não tem sintomas?

Na gestação, as alterações anatômicas e fisiológicas (como a hidronefrose fisiológica e o relaxamento ureteral pela progesterona) facilitam a ascensão de bactérias. Cerca de 30-40% das gestantes com bacteriúria assintomática não tratada evoluirão para pielonefrite, o que aumenta o risco de sepse materna, trabalho de parto prematuro e rotura prematura de membranas.

Como deve ser feito o seguimento após o tratamento?

Após completar o esquema de antibioticoterapia (geralmente com nitrofurantoína, amoxicilina ou cefalexina, dependendo do antibiograma), é mandatório realizar uma urocultura de controle (teste de cura) cerca de 7 a 10 dias após o término do tratamento para garantir a erradicação da bactéria.

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