USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
Menina, branca, previamente hígida com 15 meses de idade atendida em Unidade Básica de Saúde há 3 semanas com a seguinte história: há um dia com quadro de irritabilidade, recusa alimentar, febre de 38 ºC que cedia com antitérmico, diminuição da diurese e urina mais escurecida. Exame físico: criança em bom estado geral, sem alterações, exceto obstrução nasal e presença de roncos de transmissão na ausculta pulmonar. Colhido exames e orientado retorno no dia seguinte, quando foi diagnosticada otite média serosa e foram prescritos soro fisiológico nasal e antitérmico. Devido a alterações encontradas nos exames laboratoriais do dia anterior, o médico orientou a mãe a repetir o exame de urina e procurar o pediatra que segue a puericultura da criança. Na consulta de rotina, a mãe relata que a febre durou apenas 3 dias. A criança está bem no momento e ela trouxe os exames realizados para avaliação. Exames iniciais (urina colhida por sondagem vesical transuretral). Urina tipo 1: densidade 1,021, pH 5, nitrito negativo, proteína 1+, leucócitos 4-5 por campo e hemácias 4-5 por campo. Urocultura: > 100.000 UFC/mL de E coli. Repetição dos exames (2 semanas após o quadro inicial). Urina tipo 1: densidade 1,013, pH 5, nitrito negativo, proteína negativa, leucócitos 1-2 por campo e hemácias 0-1 por campo. Urocultura: > 100000 UFC/mL de E coli. Qual o provável diagnóstico?
Bacteriúria assintomática = urocultura positiva + ausência de sintomas + urina tipo 1 normal.
A bacteriúria assintomática é definida pela presença de urocultura positiva na ausência de sintomas clínicos e sem alterações significativas no exame de urina tipo 1. É crucial diferenciar de uma infecção do trato urinário (ITU) sintomática, pois a bacteriúria assintomática geralmente não requer tratamento em crianças, exceto em situações específicas.
A bacteriúria assintomática (BA) é a presença de bactérias na urina em quantidades significativas, detectadas por urocultura, sem que o indivíduo apresente sintomas de infecção do trato urinário (ITU). Em crianças, a BA é relativamente comum, especialmente em meninas, e sua prevalência aumenta com a idade. É clinicamente importante diferenciá-la de uma ITU sintomática para evitar tratamentos desnecessários e suas consequências, como resistência antimicrobiana e efeitos adversos de medicamentos. O diagnóstico de BA baseia-se na urocultura positiva (>100.000 UFC/mL de um único patógeno, como E. coli) em amostras de urina coletadas de forma adequada (sondagem vesical ou punção suprapúbica em lactentes) e na ausência de sintomas urinários ou sistêmicos. Além disso, o exame de urina tipo 1 deve ser normal, sem piúria (leucócitos < 5 por campo) ou hematúria significativas. A fisiopatologia envolve a colonização bacteriana do trato urinário sem desencadear uma resposta inflamatória significativa do hospedeiro. O manejo da bacteriúria assintomática em crianças geralmente consiste em observação, sem a necessidade de antibioticoterapia. O tratamento é reservado para situações específicas, como antes de cirurgias urológicas ou em pacientes imunocomprometidos, embora as evidências para essas indicações sejam limitadas. O prognóstico é excelente, e a condição raramente leva a complicações renais. É fundamental que residentes compreendam esses critérios para evitar o uso excessivo de antibióticos e otimizar a conduta clínica.
O diagnóstico de bacteriúria assintomática em crianças requer uma urocultura positiva (>100.000 UFC/mL de um único patógeno) na ausência de sintomas clínicos de infecção do trato urinário e com um exame de urina tipo 1 sem piúria significativa ou outras alterações inflamatórias.
Geralmente, a bacteriúria assintomática não requer tratamento em crianças, pois não demonstrou benefício e pode levar a resistência antimicrobiana. Exceções podem incluir crianças com malformações urológicas complexas ou antes de procedimentos urológicos invasivos.
A diferenciação se baseia na presença ou ausência de sintomas e alterações no sumário de urina. Uma ITU em resolução terá sintomas que melhoram e o sumário de urina tende a normalizar, enquanto a bacteriúria assintomática nunca teve sintomas e o sumário de urina é normal desde o início ou após a resolução de um episódio anterior.
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