PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025
Juliana, 4 anos, tem refluxo vesico ureteral e já teve vários episódios de infecção do trato urinário, segundo informações da mãe. Moravam em outra cidade e agora passa em consulta pela primeira vez com você, trazendo vários exames de urina com urocultura positiva, o 1o ultrassom e a uretrocistografia miccional que fez aos 2 anos de idade. A última infecção foi há 8 meses, ela está em uso de Nitrofurantoína profilática e não houve mais queixas urinárias desde então. O médico anterior sempre pedia que ela coletasse exame de urina para levar na consulta de rotina, então, ela traz o resultado de exame de urina apresentando leucocitúria, nitrito positivo e urocultura positiva para Escherichia coli (100.000 unidades formadoras de colônia) e Staphylococcus epidermidis (20.000 unidades formadoras de colônia).Qual é a sua conduta?
Criança assintomática com urocultura positiva (bacteriúria assintomática) não requer tratamento antibiótico, mesmo com RVU e profilaxia.
Em crianças com refluxo vesicoureteral e em profilaxia para ITU, a presença de urocultura positiva sem sintomas (bacteriúria assintomática) não justifica o tratamento antibiótico. O tratamento desnecessário pode levar a resistência bacteriana e efeitos adversos. A conduta correta é observar e reavaliar se surgirem sintomas.
A infecção do trato urinário (ITU) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância, e o refluxo vesicoureteral (RVU) é um fator de risco importante para ITU de repetição e lesão renal. A profilaxia antibiótica contínua é uma estratégia utilizada para reduzir a incidência de ITU em crianças com RVU, embora sua eficácia seja debatida em alguns contextos. O caso apresenta uma criança em profilaxia com nitrofurantoína que, apesar de assintomática há meses, tem uma urocultura positiva. Este cenário é clássico para a discussão sobre bacteriúria assintomática. A bacteriúria assintomática é a presença de bactérias na urina em contagens significativas sem sinais ou sintomas de ITU. Em crianças, especialmente aquelas com RVU ou em profilaxia, a bacteriúria assintomática geralmente não requer tratamento. O tratamento desnecessário de bacteriúria assintomática pode levar ao desenvolvimento de resistência antimicrobiana, efeitos colaterais dos antibióticos e não demonstrou benefício em prevenir ITU sintomática ou dano renal a longo prazo. A conduta correta é a observação e a orientação para que os pais procurem atendimento médico caso a criança desenvolva sintomas de ITU, reforçando a importância de diferenciar bacteriúria de infecção.
É a presença de bactérias na urina em quantidades significativas (urocultura positiva) em uma criança que não apresenta nenhum sintoma de infecção do trato urinário.
O tratamento não demonstrou benefício em prevenir ITU sintomática ou dano renal, e pode levar ao desenvolvimento de resistência antimicrobiana e efeitos adversos dos antibióticos.
Em geral, o tratamento é reservado para gestantes, pacientes antes de procedimentos urológicos invasivos ou transplantados renais, situações que não se aplicam à criança do caso.
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