INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2011
Paciente do sexo feminino, assintomática, em avaliação de rotina, determinada pelo seu médico assistente, é submetida à coleta de duas amostras de urinocultura, que revelam crescimento de >100.000 Unidades Formadoras de Colônias/ml de Escherichia coli, nas duas amostras, com o mesmo perfil de sensibilidade. A solicitação das urinoculturas e o tratamento antibiótico da bactéria isolada são justificadas, se a paciente em questão for:
Bacteriúria assintomática → Tratar SEMPRE em gestantes para prevenir pielonefrite e prematuridade.
A gestação é uma das poucas indicações formais para rastreio e tratamento de bacteriúria assintomática, visando reduzir riscos de complicações materno-fetais graves.
O rastreio de bacteriúria assintomática é um componente essencial do pré-natal de qualidade, devendo ser realizado idealmente no primeiro trimestre com urinocultura. A Escherichia coli é o patógeno mais prevalente, responsável por cerca de 80% dos casos. O diagnóstico requer atenção, pois a simples presença de bactérias no sumário de urina (EAS) sem cultura não define a condição, e a contaminação da amostra é comum. O tratamento deve ser guiado pelo antibiograma, utilizando opções seguras na gestação como Nitrofurantoína (evitar no termo), Fosfomicina, Amoxicilina ou Cefalexina. Após o tratamento, é recomendada a realização de urinocultura de controle (teste de cura) e, em alguns protocolos, o acompanhamento mensal com novas culturas até o parto, devido à alta taxa de recorrência. Essa intervenção é uma das medidas de melhor custo-benefício na assistência obstétrica para redução da prematuridade iatrogênica e morbidade materna.
A bacteriúria assintomática é definida pela presença de uma contagem de colônias de uma única espécie bacteriana ≥ 10^5 Unidades Formadoras de Colônias (UFC) por mL em amostras de urina de jato médio, colhidas de um indivíduo sem sintomas urinários (como disúria, polaciúria ou urgência). Em mulheres, para um diagnóstico rigoroso, são necessárias duas amostras consecutivas com o mesmo isolado, embora na prática clínica gestacional, o tratamento seja frequentemente iniciado após o primeiro resultado positivo devido ao risco de progressão para infecção sintomática.
Na gestação, as alterações anatômicas e fisiológicas (como a dilatação ureteral por progesterona e compressão uterina) facilitam a ascensão de bactérias da bexiga para os rins. Cerca de 30% das gestantes com bacteriúria assintomática não tratada evoluirão para pielonefrite aguda, uma condição grave que pode levar à sepse materna e insuficiência respiratória. Além disso, a bacteriúria está associada a desfechos obstétricos adversos, incluindo trabalho de parto prematuro, ruptura prematura de membranas e baixo peso ao nascer. O tratamento erradica o reservatório bacteriano e reduz drasticamente essas complicações.
Além das gestantes, a única outra indicação consensual para o tratamento de bacteriúria assintomática é em pacientes que serão submetidos a procedimentos urológicos invasivos que envolvam trauma de mucosa (como ressecção transuretral de próstata), onde há alto risco de translocação bacteriana e bacteremia. Em idosos (mesmo institucionalizados), diabéticos, pacientes com lesão medular ou usuários de cateter vesical de demora, o tratamento não é indicado, pois não previne infecções futuras e contribui significativamente para o surgimento de bactérias multirresistentes.
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