Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026
Uma complicação clínica muito frequente na gestação é a infecção do trato urinário. Em relação a essa morbidade, assinale a alternativa correta:
Gestante + Bacteriúria Assintomática → SEMPRE tratar para prevenir Pielonefrite e Prematuridade.
A bacteriúria assintomática na gestação tem alto risco de progressão para pielonefrite devido às alterações anatômicas e fisiológicas da gravidez, exigindo tratamento obrigatório.
A infecção do trato urinário (ITU) é a complicação médica mais comum da gravidez. A prevalência de bacteriúria assintomática em gestantes é similar à de mulheres não grávidas (2-10%), mas as consequências são muito mais severas. A progesterona induz o relaxamento da musculatura lisa dos ureteres, enquanto o útero gravídico exerce compressão mecânica, resultando em estase urinária. Essas mudanças transformam uma colonização vesical simples em um risco iminente de infecção do trato superior. O tratamento deve ser guiado pelo antibiograma, preferindo-se drogas seguras na gestação como nitrofurantoína (evitar no termo), amoxicilina ou cefalosporinas, sempre seguido de urocultura de controle.
Diferente da população geral, a gestante apresenta alterações fisiológicas como hidronefrose fisiológica, relaxamento ureteral por progesterona e glicosúria, que facilitam a ascensão bacteriana. Cerca de 30-40% das gestantes com bacteriúria assintomática não tratada evoluirão para pielonefrite aguda, uma condição grave associada a sepse materna, anemia, insuficiência respiratória e desfechos obstétricos desfavoráveis, como trabalho de parto prematuro e baixo peso ao nascer.
O rastreio deve ser realizado em todas as gestantes, idealmente no primeiro trimestre (ou na primeira consulta de pré-natal) através de uma urocultura. O exame de urina tipo 1 (EAS) isolado não é suficiente para o rastreio de bacteriúria assintomática devido à sua baixa sensibilidade. Se a urocultura for positiva (≥ 10^5 UFC/mL de um único patógeno), o tratamento deve ser iniciado mesmo na ausência de sintomas.
A pielonefrite gestacional é uma das principais causas de internação não obstétrica e está fortemente ligada a complicações fetais. A resposta inflamatória sistêmica e a liberação de endotoxinas podem desencadear contrações uterinas, levando ao parto prematuro. Além disso, há maior risco de ruptura prematura de membranas, restrição de crescimento intrauterino e aumento da morbimortalidade perinatal.
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