Bacteriúria Assintomática: Quando Não Tratar e Por Quê

UFS/HU - Hospital Universitário de Sergipe - Aracaju (SE) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 43 anos, procurou atendimento médico por estar apresentando urina de aspecto turvo e com cheiro desagradável há 3 dias. Informa que isso já aconteceu em outras oportunidades, tendo sido nos últimos 12 meses tratada com antibióticos após confirmação de crescimento bacteriano em exame de urocultura. Considerando as evidências atuais e o histórico clínico desta paciente, a melhor abordagem para esta situação seria: 

Alternativas

  1. A) Tratar empiricamente com norfloxacino, por 03 dias. 
  2. B) Tratar com sulfametoxazol/trimetoprim, por 07 dias. Em seguida, manter quimioprofilaxia com nitrofurantoína, por pelo menos 06 meses. 
  3. C) Rastrear bacteriúria assintomática realizando duas uroculturas com intervalo de uma semana entre elas. 
  4. D) Tranquilizá-la acerca da evolução e orientá-la quanto à não necessidade de rastreio e/ou uso de antimicrobianos. 

Pérola Clínica

Urina turva/cheiro forte sem disúria/polaciúria = bacteriúria assintomática, não tratar.

Resumo-Chave

Em mulheres não gestantes, a bacteriúria assintomática, mesmo que recorrente e com alterações na urina (turva, cheiro forte), não deve ser tratada com antibióticos, pois não há benefício e aumenta a resistência bacteriana.

Contexto Educacional

A bacteriúria assintomática é definida pela presença de crescimento bacteriano significativo em urocultura na ausência de sintomas de infecção do trato urinário (ITU). É uma condição comum, especialmente em mulheres, e sua prevalência aumenta com a idade. A identificação e o manejo correto são cruciais para evitar o uso desnecessário de antibióticos e o desenvolvimento de resistência. A fisiopatologia envolve a colonização bacteriana do trato urinário sem desencadear uma resposta inflamatória sintomática. O diagnóstico é feito por urocultura positiva em duas amostras consecutivas em mulheres, ou uma em homens, sem sintomas. É fundamental diferenciar a bacteriúria assintomática de uma ITU sintomática, onde há queixas como disúria, polaciúria ou dor suprapúbica. A presença de urina turva ou com cheiro forte por si só não é indicativo de ITU sintomática. O tratamento da bacteriúria assintomática é recomendado apenas em situações específicas, como gestantes (devido ao risco de pielonefrite e parto prematuro), pacientes antes de procedimentos urológicos invasivos com risco de sangramento de mucosa, e transplantados renais nos primeiros meses. Para a maioria dos pacientes, incluindo mulheres não gestantes, idosos e diabéticos, o tratamento não traz benefícios e pode ser prejudicial, aumentando a resistência antimicrobiana. A orientação e tranquilização do paciente são a melhor abordagem.

Perguntas Frequentes

O que é bacteriúria assintomática e quando ela deve ser tratada?

Bacteriúria assintomática é a presença de bactérias na urina sem sintomas de infecção do trato urinário. Geralmente, não deve ser tratada, exceto em gestantes, pacientes antes de procedimentos urológicos invasivos ou transplantados renais.

Por que não se deve tratar a bacteriúria assintomática em mulheres não gestantes?

O tratamento não oferece benefícios clínicos, não previne futuras infecções sintomáticas e, pior, aumenta o risco de desenvolvimento de resistência antimicrobiana e de efeitos adversos dos antibióticos.

Quais sintomas indicam uma infecção do trato urinário (ITU) que necessita de tratamento?

Sintomas clássicos de ITU incluem disúria (dor ao urinar), polaciúria (aumento da frequência urinária), urgência miccional, dor suprapúbica e, em casos de pielonefrite, febre, calafrios e dor lombar.

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