UFS/HU - Hospital Universitário de Sergipe - Aracaju (SE) — Prova 2020
Mulher, 43 anos, procurou atendimento médico por estar apresentando urina de aspecto turvo e com cheiro desagradável há 3 dias. Informa que isso já aconteceu em outras oportunidades, tendo sido nos últimos 12 meses tratada com antibióticos após confirmação de crescimento bacteriano em exame de urocultura. Considerando as evidências atuais e o histórico clínico desta paciente, a melhor abordagem para esta situação seria:
Urina turva/cheiro forte sem disúria/polaciúria = bacteriúria assintomática, não tratar.
Em mulheres não gestantes, a bacteriúria assintomática, mesmo que recorrente e com alterações na urina (turva, cheiro forte), não deve ser tratada com antibióticos, pois não há benefício e aumenta a resistência bacteriana.
A bacteriúria assintomática é definida pela presença de crescimento bacteriano significativo em urocultura na ausência de sintomas de infecção do trato urinário (ITU). É uma condição comum, especialmente em mulheres, e sua prevalência aumenta com a idade. A identificação e o manejo correto são cruciais para evitar o uso desnecessário de antibióticos e o desenvolvimento de resistência. A fisiopatologia envolve a colonização bacteriana do trato urinário sem desencadear uma resposta inflamatória sintomática. O diagnóstico é feito por urocultura positiva em duas amostras consecutivas em mulheres, ou uma em homens, sem sintomas. É fundamental diferenciar a bacteriúria assintomática de uma ITU sintomática, onde há queixas como disúria, polaciúria ou dor suprapúbica. A presença de urina turva ou com cheiro forte por si só não é indicativo de ITU sintomática. O tratamento da bacteriúria assintomática é recomendado apenas em situações específicas, como gestantes (devido ao risco de pielonefrite e parto prematuro), pacientes antes de procedimentos urológicos invasivos com risco de sangramento de mucosa, e transplantados renais nos primeiros meses. Para a maioria dos pacientes, incluindo mulheres não gestantes, idosos e diabéticos, o tratamento não traz benefícios e pode ser prejudicial, aumentando a resistência antimicrobiana. A orientação e tranquilização do paciente são a melhor abordagem.
Bacteriúria assintomática é a presença de bactérias na urina sem sintomas de infecção do trato urinário. Geralmente, não deve ser tratada, exceto em gestantes, pacientes antes de procedimentos urológicos invasivos ou transplantados renais.
O tratamento não oferece benefícios clínicos, não previne futuras infecções sintomáticas e, pior, aumenta o risco de desenvolvimento de resistência antimicrobiana e de efeitos adversos dos antibióticos.
Sintomas clássicos de ITU incluem disúria (dor ao urinar), polaciúria (aumento da frequência urinária), urgência miccional, dor suprapúbica e, em casos de pielonefrite, febre, calafrios e dor lombar.
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