UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2023
Homem, 60 anos, assintomático, está em pré-operatório de correção cirúrgica de hérnia inguinal. Na avaliação do risco cirúrgico, o exame dos elementos anormais do sedimento (EAS) evidenciou piúria. Foi, então, solicitada uma urinocultura que revelou Escherichia coli multissensível. Uma análise crítica desse caso indica que a conduta mais adequada seria:
Bacteriúria assintomática em pré-operatório de cirurgia NÃO urológica → NÃO tratar.
A bacteriúria assintomática não deve ser rastreada ou tratada em pacientes assintomáticos antes de cirurgias não urológicas, pois o tratamento não reduz o risco de infecção do sítio cirúrgico e pode aumentar a resistência antimicrobiana. A piúria isolada também não indica tratamento.
A bacteriúria assintomática é a presença de bactérias na urina em quantidades significativas, sem sintomas de infecção do trato urinário (ITU). É um achado comum, especialmente em idosos, diabéticos e mulheres. A questão central no manejo pré-operatório é se a detecção e o tratamento dessa condição são benéficos para prevenir complicações infecciosas pós-cirúrgicas. As diretrizes atuais são claras: para a maioria das cirurgias não urológicas, não há indicação de rastrear ou tratar a bacteriúria assintomática. O tratamento antibiótico nesses casos não demonstrou reduzir o risco de infecção do sítio cirúrgico ou outras complicações, e pode levar a efeitos adversos dos medicamentos e ao desenvolvimento de resistência antimicrobiana, um problema crescente na saúde pública. A piúria, embora indique inflamação, não é suficiente para justificar o tratamento antibiótico na ausência de sintomas. A conduta adequada é evitar o rastreamento desnecessário e, se a bacteriúria for detectada incidentalmente, não prescrever antibióticos, a menos que o paciente se enquadre em grupos de risco específicos, como gestantes ou antes de procedimentos urológicos invasivos.
A bacteriúria assintomática deve ser rastreada e tratada em gestantes, pacientes submetidos a procedimentos urológicos invasivos com risco de sangramento de mucosa e, em alguns casos, antes de transplante renal.
O tratamento não demonstrou reduzir o risco de infecção do sítio cirúrgico ou outras complicações, e o uso desnecessário de antibióticos contribui para o aumento da resistência antimicrobiana e efeitos adversos.
A piúria (presença de leucócitos na urina) indica inflamação do trato urinário, mas não é específica para infecção bacteriana. Pode estar presente em bacteriúria assintomática ou outras condições não infecciosas, e não justifica tratamento antibiótico isoladamente.
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