HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2025
Paciente feminina 18 anos, assintomática faz consulta pré-operatória para cirurgia de mamoplastia redutora. O médico que a atendeu solicitou como exame pré-operatório EAS e urinocultura entre outros. Resultados relevantes: Leucometria 6500 cels/mm³ EAS com nitrito positivo e numerosas bactérias, leucócitos 3-5 por campo Urinocultura: E.coli >100.000 UFC, TSA resistência documentada somente à ciprofloxacino e nitrofurantoína. Qual o diagnóstico e a melhor conduta terapêutica neste caso:
Bacteriúria assintomática em pacientes não grávidas/não urológicas pré-op → NÃO TRATAR.
A bacteriúria assintomática, definida por urocultura positiva sem sintomas de ITU, geralmente não requer tratamento em pacientes jovens e saudáveis submetidas a cirurgias não urológicas, pois não reduz o risco de infecção do sítio cirúrgico e pode aumentar a resistência antimicrobiana.
A bacteriúria assintomática é uma condição comum, especialmente em mulheres, caracterizada pela presença de bactérias na urina em quantidades significativas sem sintomas de infecção. É crucial diferenciar a bacteriúria assintomática de uma infecção do trato urinário (ITU) sintomática, pois as condutas terapêuticas são distintas. A prevalência aumenta com a idade e em certas condições como diabetes ou uso de cateteres urinários. A identificação correta é fundamental para evitar o uso desnecessário de antibióticos e suas consequências. Do ponto de vista fisiopatológico, a presença de bactérias na urina sem resposta inflamatória sintomática sugere um equilíbrio entre o hospedeiro e o microrganismo. O diagnóstico baseia-se na urocultura, com contagens significativas de colônias bacterianas. Exames como o EAS podem mostrar nitrito positivo e leucócitos em menor quantidade, mas a ausência de sintomas é o fator determinante. A suspeita deve surgir em exames de rotina, como os pré-operatórios, mas a decisão de tratar deve ser criteriosa. O tratamento da bacteriúria assintomática é reservado para grupos específicos de risco, como gestantes, pacientes antes de procedimentos urológicos invasivos e receptores de transplante renal. Para a maioria dos pacientes, incluindo aqueles em pré-operatório de cirurgias não urológicas, o tratamento não é recomendado, pois não confere benefício e pode levar à seleção de bactérias resistentes. A compreensão dessas diretrizes é vital para a prática clínica e para a prevenção da resistência antimicrobiana.
A bacteriúria assintomática é diagnosticada pela presença de urocultura positiva (geralmente >10^5 UFC/mL de um único patógeno) em duas amostras consecutivas para mulheres ou uma amostra para homens, na ausência de sintomas de infecção do trato urinário.
O tratamento da bacteriúria assintomática é recomendado em gestantes, pacientes submetidos a procedimentos urológicos invasivos com risco de sangramento da mucosa, e em receptores de transplante renal nos primeiros meses pós-transplante. Fora dessas condições, o tratamento geralmente não é indicado.
Não há evidências de que o tratamento da bacteriúria assintomática em pacientes saudáveis submetidos a cirurgias não urológicas reduza o risco de infecção do sítio cirúrgico ou outras complicações. O tratamento pode, inclusive, aumentar o risco de efeitos adversos dos antibióticos e promover a resistência antimicrobiana.
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