UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2022
Mulher, 60a, comparece na Unidade Básica de Saúde, sem queixas, para resultado de exames. Antecedente pessoal: hipertensão arterial e diabetes mellitus, em acompanhamento regular. Creatinina= 0,9 mg/dL; exame sumário de urina: leucócitos= 20/campo, hemácias= 10/campo, proteína ausente, bactérias presentes; urocultura= E. Coli=W⁵ UFC/mL. A CONDUTA ADEQUADA É:
Bacteriúria assintomática em mulher idosa não grávida, mesmo com DM, NÃO requer ATB.
A paciente apresenta bacteriúria significativa (E. coli > 10^5 UFC/mL) e leucocitúria, mas é completamente assintomática. Nesses casos, a antibioticoterapia não é indicada, pois não reduz o risco de infecções urinárias sintomáticas ou complicações renais, e pode promover resistência bacteriana.
A bacteriúria assintomática é uma condição comum, especialmente em mulheres idosas e pacientes com diabetes mellitus, caracterizada pela presença de bactérias em quantidades significativas na urina sem que o indivíduo apresente quaisquer sintomas de infecção do trato urinário (ITU). Sua prevalência aumenta com a idade e com a presença de comorbidades como o diabetes, sendo frequentemente detectada em exames de rotina. A fisiopatologia envolve a colonização do trato urinário por bactérias, mais comumente Escherichia coli, sem que haja uma resposta inflamatória sintomática do hospedeiro. O diagnóstico é feito pela urocultura, que revela uma contagem bacteriana significativa (>10^5 UFC/mL) em amostras de urina coletadas adequadamente, na ausência de disúria, polaciúria, urgência, dor suprapúbica ou febre. A leucocitúria pode estar presente, mas não é um indicador de infecção sintomática por si só. A conduta para bacteriúria assintomática é um ponto crucial na prática clínica e na prevenção da resistência antimicrobiana. As diretrizes atuais recomendam fortemente NÃO tratar a bacteriúria assintomática na maioria dos casos, incluindo mulheres não grávidas (mesmo idosas ou diabéticas), pacientes com cateteres de longa permanência ou pacientes com disfunção vesical neurogênica. As exceções para tratamento incluem gestantes (devido ao risco de pielonefrite e parto prematuro) e pacientes antes de procedimentos urológicos invasivos com risco de sangramento da mucosa. O tratamento desnecessário apenas seleciona bactérias resistentes e expõe o paciente a efeitos adversos dos antibióticos.
Bacteriúria assintomática é a presença de bactérias significativas na urina sem sintomas de infecção do trato urinário. Geralmente, não requer tratamento, exceto em gestantes, pacientes submetidos a procedimentos urológicos invasivos ou, em alguns casos, transplantados renais.
O tratamento da bacteriúria assintomática nessas populações não demonstrou reduzir a incidência de infecções urinárias sintomáticas ou complicações renais, e pode levar ao desenvolvimento de resistência antimicrobiana, efeitos adversos dos antibióticos e infecções por Clostridioides difficile.
O diagnóstico requer duas uroculturas consecutivas com o mesmo uropatógeno em contagem significativa (>10^5 UFC/mL) em mulheres, ou uma única urocultura com >10^5 UFC/mL em homens, na ausência de sintomas urinários.
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