HVV - Hospital Vaz Monteiro - Lavras (MG) — Prova 2023
Homem, 81 anos de idade, internado em enfermaria de hospital secundário por quadro de pneumonia, em uso de ceftriaxona. No 5o dia de internação, evoluiu com delirium hipoativo, hipotensão e febre. Foi realizado novo rastreio infeccioso, sendo diagnosticada infecção do trato urinário. A urocultura foi entregue ao médico com um problema de impressão, mas era possível ler “ESBL positivo”.Considerando o caso clínico descrito, indique, entre as bactérias citadas a que, mais provavelmente, cresceu na urocultura:
ESBL positivo em urocultura hospitalar → pensar em Enterobacteriaceae como Klebsiella pneumoniae ou E. coli.
Em pacientes hospitalizados, especialmente idosos e em uso de antibióticos de amplo espectro, a emergência de bactérias produtoras de ESBL (beta-lactamase de espectro estendido) é comum. Klebsiella pneumoniae é um patógeno frequente em infecções do trato urinário e é uma das principais Enterobacteriaceae a produzir ESBL, conferindo resistência a cefalosporinas de 3ª geração como a ceftriaxona.
As infecções do trato urinário (ITU) são comuns, e em ambientes hospitalares, a prevalência de bactérias multirresistentes, como as produtoras de beta-lactamases de espectro estendido (ESBL), tem aumentado. A identificação de ESBL é crucial para o tratamento adequado, pois confere resistência a diversas classes de antibióticos, incluindo as cefalosporinas de terceira geração, frequentemente usadas empiricamente. A Klebsiella pneumoniae é uma das Enterobacteriaceae mais frequentemente associadas à produção de ESBL, especialmente em infecções nosocomiais. A fisiopatologia da resistência ESBL envolve a produção de enzimas que hidrolisam o anel beta-lactâmico de antibióticos, tornando-os ineficazes. O diagnóstico é feito por testes de sensibilidade antimicrobiana em culturas. A suspeita deve surgir em pacientes com infecções que não respondem ao tratamento inicial ou em contextos de alto risco, como internação prolongada, uso prévio de antibióticos e comorbidades. O tratamento de ITUs por ESBL geralmente requer o uso de carbapenêmicos (como meropenem ou ertapenem), que são eficazes contra essas enzimas. Outras opções podem incluir fosfomicina ou nitrofurantoína para cistites não complicadas, ou novas combinações de beta-lactâmicos/inibidores de beta-lactamase. A escolha do antibiótico deve ser guiada pelo perfil de sensibilidade da urocultura e pela gravidade do quadro clínico do paciente.
As bactérias mais comuns produtoras de ESBL em ITU são as Enterobacteriaceae, como Klebsiella pneumoniae e Escherichia coli. Outras menos frequentes incluem Proteus mirabilis e Enterobacter spp.
Um resultado 'ESBL positivo' indica resistência a cefalosporinas de espectro estendido (como ceftriaxona, cefotaxima) e a penicilinas. Isso exige a escolha de antibióticos alternativos, como carbapenêmicos, para tratamento eficaz.
Pacientes hospitalizados estão expostos a um ambiente com maior prevalência de bactérias resistentes, uso frequente de antibióticos que selecionam cepas resistentes e procedimentos invasivos, aumentando o risco de infecções nosocomiais por ESBL.
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