Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2026
Homem de 42 anos, portador de hipertensão arterial e insuficiência renal crônica estadio I, está internado por piora da função renal significativa e em diálise por CDL. Paciente evolui com febre persistente e lombalgia há 5 dias. Nega sintomas urinários, nega cirurgias prévias. Ao exame: PA 118x70 mmHg, FC 96 bpm, FR 18 irpm, temperatura 38,5 °C. Sem sopros audíveis. Coluna lombar dolorosa à palpação, sem rigidez meníngea. Iniciado tratamento empírico com Cefepime. Em 24 horas, houve resultado positivo de duas Hemoculturas cocos GRAM positivos, catalase positivo e coagulase positivo, sensível à oxacilina. Após 48 horas de tratamento, o paciente mantém febre de 38 °C e elevação de proteína C reativa. Qual o próximo passo MAIS adequado na investigação?
Bacteremia por S. aureus → Sempre investigar endocardite (ETE) + remover foco (cateter).
O Staphylococcus aureus é altamente virulento e propenso a focos secundários; a persistência da febre e hemoculturas positivas exigem a remoção imediata do cateter e busca ativa por endocardite via ETE.
A bacteremia por Staphylococcus aureus (SAB) é uma condição clínica crítica com alta morbimortalidade. Diferente de outros patógenos, o S. aureus não é considerado contaminante em hemoculturas e exige investigação exaustiva de focos metastáticos. Em pacientes com dispositivos intravasculares, como cateteres de diálise, o biofilme formado pelo estafilococo impede a erradicação da infecção apenas com antibióticos. A conduta padrão envolve a remoção do dispositivo infectado e a realização de ecocardiograma para excluir endocardite infecciosa. O ecocardiograma transesofágico é o padrão-ouro, especialmente em pacientes com próteses valvares, janelas acústicas ruins ou quando o transtorácico é negativo mas a suspeita clínica persiste.
O ecocardiograma transesofágico (ETE) possui sensibilidade superior (>90%) em comparação ao transtorácico (ETT) para detectar vegetações valvares, abscessos perianulares e complicações de endocardite, sendo mandatório em bacteremias por patógenos de alta virulência como o S. aureus.
A remoção é obrigatória em infecções de corrente sanguínea por S. aureus, Pseudomonas aeruginosa, fungos (Candida spp) e micobactérias, ou em casos de persistência de febre/hemoculturas positivas após 48-72h de antibioticoterapia adequada.
O S. aureus tem alta capacidade de disseminação hematogênica, podendo causar endocardite, osteomielite, discite vertebral e abscessos viscerais. O tratamento inadequado ou a manutenção do foco infeccioso eleva drasticamente a mortalidade e o risco de sequelas.
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