HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2023
Lactente de 2 anos de idade com quadro de otalgia à direita decorrente de resfriado iniciado há 3 dias, apresentava episódios de febre intermitente desde o início. Mãe relata que repentinamente apresentou palidez, hipotonia, extremidades frias, cútis de aspecto rendilhado, algo marmórea, com tremores grosseiros generalizados. Embora estivesse pouco responsivo, não apresentou perda de consciência. A duração total do evento, de acordo com a mãe, foi de cerca de 20 minutos. Ao chegar ao PS, encontrava-se com febre de 39°C. Diante da descrição acima, assinale a alternativa correta sobre o evento.
Lactente com febre + palidez, hipotonia, extremidades frias, cútis marmórea, tremores grosseiros → suspeitar de bacteremia/sepse.
Apresentação de lactente com febre, associada a sinais de má perfusão periférica (palidez, extremidades frias, cútis marmórea) e alteração do estado geral (hipotonia, tremores grosseiros, pouco responsivo), mesmo sem perda de consciência, é altamente sugestiva de uma infecção sistêmica grave como bacteremia ou sepse, exigindo investigação e tratamento urgentes.
A febre em lactentes é uma queixa comum, mas a presença de sinais de alerta associados pode indicar uma condição grave como bacteremia ou sepse. A capacidade de identificar rapidamente esses sinais é crucial para o prognóstico do paciente pediátrico. A bacteremia se refere à presença de bactérias viáveis na corrente sanguínea, que pode evoluir para sepse, uma disfunção orgânica ameaçadora à vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção. Em crianças, a sepse é uma das principais causas de morbidade e mortalidade, especialmente em lactentes e crianças pequenas. O quadro clínico descrito na questão, com palidez, hipotonia, extremidades frias, cútis marmórea e tremores grosseiros em um lactente febril, é altamente sugestivo de má perfusão e resposta inflamatória sistêmica, características da sepse. A cútis marmórea, em particular, é um sinal de vasoconstrição periférica e má perfusão, indicando gravidade. Diferenciar de outras condições febris, como convulsão febril ou delírio febril, é essencial; enquanto estas podem cursar com alteração do estado de consciência ou tremores, a presença de sinais de choque (como os descritos) aponta para uma infecção sistêmica grave. A abordagem de um lactente com suspeita de sepse deve ser rápida e agressiva, incluindo a estabilização das vias aéreas e respiração, suporte circulatório com fluidos intravenosos, e início precoce de antibióticos de amplo espectro após a coleta de culturas. O tempo é um fator crítico, e a demora no reconhecimento e tratamento pode levar a desfechos desfavoráveis, como choque séptico e falência de múltiplos órgãos. Residentes devem estar aptos a reconhecer esses sinais e iniciar o manejo adequado prontamente.
Sinais de alerta para sepse em lactentes febris incluem palidez, extremidades frias, cútis marmórea (rendilhada), hipotonia, letargia, irritabilidade, taquicardia, taquipneia e tempo de enchimento capilar prolongado. A presença de múltiplos desses sinais indica gravidade.
A convulsão febril geralmente cursa com perda de consciência e movimentos tônico-clônicos típicos, com recuperação rápida. A bacteremia/sepse, embora possa cursar com tremores ou irritabilidade, apresenta sinais de disfunção orgânica e má perfusão, como cútis marmórea e hipotonia, sem a perda de consciência clássica da convulsão febril.
A conduta inicial diante de um lactente com suspeita de sepse inclui estabilização hemodinâmica (fluidos intravenosos), coleta de exames laboratoriais (hemocultura, hemograma, PCR, lactato), e início precoce de antibioticoterapia empírica de amplo espectro, sem atrasos.
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