Bacteremia Oculta em Pediatria: Agentes e Conduta

PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2020

Enunciado

Menino, 30 meses de idade, é levado à UPA com febre há 72 horas. Sua mãe refere que a temperatura tem ultrapassado os 39ºC que o menor não tem aceito alimentos, vem apresentando irritabilidade e diminuiu as eliminações (atribuindo à reduzida ingestão). No momento, a temperatura é 39,6ºC. Não foram observadas alterações ao exame físico segmentar. Identifique o principal agente responsável por bacteremia oculta na faixa etária dessa criança.

Alternativas

  1. A) Escherichia coli.
  2. B) Streptococcus pneumoniae.
  3. C) Haemophilus influenzae.
  4. D) Salmonella sp.

Pérola Clínica

Febre alta sem foco em criança de 3-36 meses → Principal agente: Streptococcus pneumoniae.

Resumo-Chave

A bacteremia oculta refere-se à presença de bactérias no sangue de uma criança febril que parece clinicamente bem e não apresenta foco infeccioso evidente ao exame físico.

Contexto Educacional

A bacteremia oculta é um desafio diagnóstico na pediatria, especialmente no pronto-atendimento. A fisiopatologia envolve a translocação bacteriana da nasofaringe para a corrente sanguínea em um hospedeiro com sistema imune ainda em desenvolvimento. A maioria dos casos de bacteremia por pneumococo resolve-se espontaneamente, mas existe um risco real de evolução para focos infecciosos graves, como meningite, pneumonia ou osteomielite. A avaliação criteriosa do estado geral é fundamental para diferenciar a bacteremia oculta da sepse precoce, garantindo que crianças de alto risco recebam tratamento oportuno.

Perguntas Frequentes

O que define a bacteremia oculta?

Bacteremia oculta é definida pela presença de uma cultura de sangue positiva em uma criança febril (geralmente com temperatura ≥ 39°C) que não apresenta um foco infeccioso identificável após anamnese e exame físico minuciosos, e que não aparenta estar toxemiada ou em estado séptico. É uma condição mais comum na faixa etária de 3 a 36 meses. Com a introdução das vacinas conjugadas contra Pneumococo e Haemophilus influenzae tipo b, a incidência global caiu significativamente, mas o diagnóstico ainda deve ser suspeitado em casos de febre alta persistente sem foco em crianças com esquema vacinal incompleto ou ausente.

Por que o Streptococcus pneumoniae é o principal agente?

Historicamente, o Streptococcus pneumoniae (pneumococo) era responsável por até 90% dos casos de bacteremia oculta. Mesmo após a implementação da vacinação em massa com as vacinas conjugadas (PCV10/PCV13), ele permanece como o patógeno mais frequentemente isolado em hemoculturas de crianças com febre sem foco, embora os sorotipos prevalentes tenham mudado devido à pressão vacinal. Outros agentes que podem causar bacteremia oculta incluem a Neisseria meningitidis e, muito raramente em populações vacinadas, o Haemophilus influenzae tipo b. Em lactentes menores de 3 meses, o perfil microbiológico é diferente, incluindo E. coli e Streptococcus agalactiae.

Qual a conduta na febre sem sinais de localização (FSSL)?

A conduta depende da idade, do estado vacinal e da aparência clínica avaliada pelo Triângulo de Avaliação Pediátrica ou escala de Yale. Crianças entre 3-36 meses com bom estado geral e vacinação completa podem ser observadas sem exames se a febre for moderada. Se a febre for ≥ 39°C e o esquema vacinal estiver incompleto, recomenda-se a coleta de hemograma e hemocultura. Se o leucograma mostrar leucocitose importante (> 15.000/mm³), o risco de bacteremia oculta é maior, e a antibioticoterapia empírica com ceftriaxona pode ser considerada enquanto se aguarda o resultado das culturas, visando prevenir focos secundários graves.

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