HSL Copacabana - Hospital São Lucas Copacabana (RJ) — Prova 2021
Gestante de 25 anos na 10ª semana apresenta igG e lgM positivas para toxoplasmose, com avidez da lgG alta. Melhor conduta nesse caso
IgM e IgG positivos com alta avidez de IgG na gestação → infecção passada, sem risco de toxoplasmose congênita ativa.
A alta avidez de IgG, mesmo com IgM positivo, indica que a infecção por toxoplasmose ocorreu há mais de 3-4 meses, ou seja, antes da gestação. Nesses casos, o risco de transmissão congênita é praticamente nulo, e a conduta é tranquilizar o casal.
A toxoplasmose é uma preocupação significativa durante a gestação devido ao potencial de transmissão vertical e suas consequências para o feto. O diagnóstico preciso da época da infecção materna é vital para determinar o risco fetal e a conduta terapêutica. A sorologia, com a combinação de IgM e IgG, é a ferramenta inicial, mas a avidez de IgG é o fator determinante para a cronologia da infecção. Quando uma gestante apresenta IgM e IgG positivos, a avidez de IgG deve ser solicitada. Uma alta avidez de IgG (geralmente acima de 60%) indica que a infecção ocorreu há mais de 12 a 16 semanas, ou seja, antes da concepção ou no início da gravidez. Nesses casos, o risco de transmissão congênita é mínimo, e a infecção é considerada 'passada'. A conduta mais adequada é orientar o casal sobre a natureza da infecção, explicando que não há risco de toxoplasmose congênita ativa. Não há indicação para tratamento medicamentoso (espiramicina ou esquema tríplice) nem para procedimentos invasivos como a amniocentese. O foco deve ser no acompanhamento pré-natal de rotina e na tranquilização da família.
O teste de avidez de IgG é crucial para datar a infecção por Toxoplasma gondii. Uma alta avidez indica que a infecção é antiga (mais de 3-4 meses), enquanto uma baixa avidez sugere infecção recente, o que impacta diretamente o risco de transmissão fetal e a necessidade de tratamento.
A interrupção da gravidez por toxoplasmose é uma decisão extrema e raramente indicada, geralmente reservada para casos de infecção fetal grave e precoce com prognóstico muito reservado, após aconselhamento multidisciplinar e decisão informada do casal.
A amniocentese com pesquisa de DNA de Toxoplasma por PCR no líquido amniótico é realizada para confirmar a infecção fetal em gestantes com infecção materna aguda ou recente, quando há risco de transmissão vertical. Não é indicada em casos de infecção materna passada (alta avidez de IgG).
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