AVC Isquêmico Agudo: Manejo da Hipertensão e Condutas

HSA Guarujá - Hospital Santo Amaro de Guarujá (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem de 80 anos, com antecedentes de hipertensão arterial, com déficit neurológico motor em membro superior direito há 12 horas, atendido em uma unidade de emergência com a realização de tomografia computadorizada de crânio, que não evidenciou anormalidades. Ao exame físico: verificação do déficit motor referido, ausculta cardíaca, pulmonar e carotídea normais. Dados vitais: FC = 80 bpm; Temp.= 36° C; FR = 12 irpm e PA = 200 x 100 mmHg. Indique a alternativa que não configura uma decisão terapêutica adequada para a condução do diagnóstico.

Alternativas

  1. A) contraindicar trombolítico.
  2. B) prescrever aspirina.
  3. C) aplicar captopril sublingual.
  4. D) indicar profilaxia com enoxaparina.

Pérola Clínica

AVC isquêmico agudo: Não usar captopril sublingual para controle pressórico; contraindicar trombolítico após 4,5h.

Resumo-Chave

Em um paciente com suspeita de AVC isquêmico agudo, a redução rápida e descontrolada da pressão arterial com captopril sublingual é contraindicada, pois pode piorar a isquemia cerebral. A pressão arterial deve ser controlada de forma gradual e cautelosa, especialmente se o paciente não for candidato à trombólise.

Contexto Educacional

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico agudo é uma emergência médica que requer reconhecimento rápido e manejo adequado para minimizar o dano cerebral e melhorar o prognóstico. É a principal causa de incapacidade e uma das principais causas de morte no mundo. A idade avançada e a hipertensão arterial são fatores de risco significativos para o desenvolvimento de AVC. A fisiopatologia envolve a oclusão de um vaso cerebral, levando à isquemia e necrose do tecido nervoso. A tomografia computadorizada de crânio é essencial na fase aguda para excluir hemorragia. O manejo da pressão arterial no AVC isquêmico é complexo; a hipertensão é comum e, em muitos casos, protetora para manter a perfusão cerebral. Reduções agressivas da PA podem ser prejudiciais, exceto em situações específicas como antes da trombólise ou em emergências hipertensivas com dano de órgão-alvo. A trombólise intravenosa é o tratamento de reperfusão padrão-ouro, mas possui uma janela terapêutica estreita (até 4,5 horas). Após esse período, a trombólise é contraindicada. A antiagregação plaquetária com aspirina é recomendada para a maioria dos pacientes com AVC isquêmico não trombolisados, iniciada 24-48 horas após o evento. A profilaxia para trombose venosa profunda (TVP) com heparina de baixo peso molecular, como a enoxaparina, é indicada para pacientes com mobilidade reduzida.

Perguntas Frequentes

Qual o limite de tempo para a trombólise no AVC isquêmico agudo?

A trombólise intravenosa com alteplase é geralmente indicada dentro de 4,5 horas do início dos sintomas para pacientes selecionados, desde que não haja contraindicações.

Por que o captopril sublingual é contraindicado no manejo da hipertensão em AVC agudo?

O captopril sublingual pode causar uma queda rápida e imprevisível da pressão arterial, o que pode comprometer a perfusão cerebral na área de penumbra isquêmica e agravar o dano neurológico.

Quando iniciar a antiagregação plaquetária em um paciente com AVC isquêmico?

A aspirina deve ser iniciada dentro de 24 a 48 horas após o início dos sintomas de AVC isquêmico, após exclusão de hemorragia intracraniana e se o paciente não for submetido à trombólise.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo