Cardiotocografia vs. Ausculta Fetal: Impacto nos Partos

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2019

Enunciado

Sobre métodos clínicos e complementares de avaliação de vitalidade fetal, podemos afirmar:

Alternativas

  1. A) A hipóxia do sistema nervoso central fetal altera os parâmetros biofísicos na sequência seguinte, no perfil biofísico fetal: reatividade cardíaca, tônus fetal, movimentos somáticos e respiratórios fetais.
  2. B) Quando comparada à ausculta fetal intermitente, a cardiotocografia intraparto está associada a um maior número de cesarianas, sem diferença significativa na incidência de paralisia cerebral e mortalidade neonatal.
  3. C) A Dopplervelocimetria, quando utilizada na avaliação materno-fetal de gestantes com diabetes gestacional, tem contribuído de forma importante para a redução da mortalidade perinatal.
  4. D) O perfil biofísico fetal consiste também na análise volume do líquidoamniótico, utilizado como um marcador agudo nas alterações de vitalidade fetal.
  5. E) O mobilograma deve ser usado como um marcador com boa especificidade, sendo o melhor parâmetro nos casos de amniorrexe prematura e distúrbios hipertensivos.

Pérola Clínica

Cardiotocografia intraparto vs. ausculta intermitente: ↑ cesarianas, SEM ↓ paralisia cerebral/mortalidade neonatal.

Resumo-Chave

A cardiotocografia intraparto, embora amplamente utilizada, não demonstrou reduzir a incidência de paralisia cerebral ou mortalidade neonatal em comparação com a ausculta intermitente, mas está associada a um aumento nas taxas de cesariana e parto instrumental.

Contexto Educacional

A avaliação da vitalidade fetal é um pilar fundamental da assistência pré-natal e intraparto, visando identificar fetos em risco de hipóxia e intervir precocemente. Diversos métodos, clínicos e complementares, são empregados para monitorar o bem-estar fetal e guiar as decisões obstétricas. A cardiotocografia (CTG) intraparto é amplamente utilizada para monitorar a frequência cardíaca fetal e as contrações uterinas. No entanto, metanálises e estudos randomizados têm demonstrado que, em gestações de baixo risco, a CTG contínua, quando comparada à ausculta intermitente, não resulta em redução significativa da incidência de paralisia cerebral ou mortalidade neonatal. Pelo contrário, está associada a um aumento nas taxas de cesarianas e partos instrumentais, devido a uma maior detecção de alterações que podem levar a intervenções desnecessárias. Outros métodos como o perfil biofísico fetal (PBF) e a dopplervelocimetria são importantes na avaliação anteparto de gestações de alto risco. O PBF avalia parâmetros como tônus, movimentos, respiração e volume de líquido amniótico, sendo o volume de líquido amniótico um marcador crônico de vitalidade fetal, e não agudo como erroneamente afirmado em algumas alternativas. O mobilograma, embora simples, possui baixa especificidade e não é o melhor parâmetro em situações de alto risco.

Perguntas Frequentes

Qual a principal diferença entre cardiotocografia e ausculta fetal intermitente?

A cardiotocografia (CTG) é um registro contínuo da frequência cardíaca fetal (FCF) e das contrações uterinas, enquanto a ausculta intermitente envolve a escuta periódica da FCF com um sonar ou estetoscópio de Pinard.

A cardiotocografia contínua melhora os desfechos neonatais?

Estudos mostram que a CTG contínua não reduz significativamente a incidência de paralisia cerebral ou mortalidade neonatal em gestações de baixo risco, mas aumenta as taxas de cesariana e parto vaginal operatório.

Quais são os parâmetros avaliados no perfil biofísico fetal?

O perfil biofísico fetal avalia cinco parâmetros: reatividade cardíaca (cardiotocografia), tônus fetal, movimentos fetais, movimentos respiratórios fetais e volume de líquido amniótico.

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