SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2024
O suicídio é considerado um problema de saúde pública e está fortemente associado a outras condições de saúde mental. Sobre a abordagem à pessoa com sintomas suicidas, assinale a alternativa correta:
Ideação de morte abstrata sem plano = baixo risco; perguntar sobre suicídio NÃO induz o ato.
A estratificação de risco baseia-se na presença de plano, meios e histórico. Perguntar diretamente é essencial e reduz o risco, desmistificando o tabu clínico.
O suicídio é uma emergência médica e um desafio de saúde pública global. A avaliação clínica deve ser minuciosa, diferenciando a ideação passiva (desejo de morte) da ideação ativa (plano estruturado). Fatores como estado civil (estar casado) e gestação são classicamente descritos como protetores, embora cada caso exija individualização. O manejo envolve desde o suporte ambulatorial intensivo em casos de baixo risco até a internação psiquiátrica em casos de risco iminente. O tratamento da patologia de base, como a depressão maior, é o pilar central da prevenção a longo prazo.
Os principais fatores de risco incluem transtornos mentais (especialmente depressão, transtorno bipolar e abuso de substâncias), tentativas prévias de suicídio (o preditor isolado mais forte), sexo masculino, idade avançada ou adolescência, isolamento social, doenças crônicas incapacitantes e acesso a meios letais. Profissões de alta pressão, como a medicina, também apresentam taxas elevadas. É fundamental avaliar a desesperança, que é um marcador clínico de gravidade superior à própria intensidade da depressão em alguns estudos.
Não. Este é um dos mitos mais comuns na prática clínica. Evidências demonstram que perguntar de forma empática e direta sobre ideação suicida não 'induz' o ato. Pelo contrário, frequentemente proporciona um alívio ao paciente, que se sente compreendido e acolhido, permitindo a construção de uma aliança terapêutica necessária para o manejo do risco. A abordagem deve ser gradual, começando por sentimentos sobre a vida até chegar ao planejamento específico.
A internação está indicada em situações de alto risco, caracterizadas por ideação suicida persistente com planejamento estruturado, acesso a meios letais, falta de suporte sociofamiliar adequado e presença de transtorno mental grave descompensado (como psicose ou depressão grave). Se o paciente não consegue garantir a própria segurança ou se o 'contrato de segurança' é considerado não confiável devido à impulsividade, a hospitalização (voluntária ou involuntária) torna-se a conduta de escolha para proteção da vida.
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