Avaliação de Risco de Suicídio em Adolescentes: Conduta

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2022

Enunciado

Adolescente, 15 anos de idade, sexo masculino, vem à UBS trazido pela mãe, que informa modificações no comportamento do menor, apresentando-se agressivo em casa, e batendo nos irmãos menores. Trata-se do primeiro filho de uma prole de quatro, sendo o único do primeiro casamento, com 4 anos de diferença para o segundo irmão. Segundo a mãe, o menor mantinha um bom relacionamento em família mas, após ter sido surpreendido, há 3 meses, usando maconha em casa, foi repreendido e teve a mesada suspensa. Não tem contato com o pai. A agressividade se agravou ainda mais, após o término do relacionamento com a namorada, de 17 anos, há duas semanas. Desde então, passa grande parte do tempo trancado no quarto; não senta à mesa para as refeições e muitas vezes não se alimenta. Tem boa escolaridade e é considerado acima da média, mas faltou, pelo menos, dois dias à escola nas últimas semanas. Hoje, após uma briga, o adolescente mencionou que "preferia estar morto do que viver desse jeito”. Com relação ao risco de suicídio, expresso na fala do adolescente, pode se afirmar que: 

Alternativas

  1. A) Há ideação suicida que indica grande risco. 
  2. B) Há ideação suicida passiva e o risco não pode ser previsto.
  3. C) Não há ideação suicida pois o plano não foi formulado.
  4. D) Há ideação suicida passiva e vaga, com risco baixo.

Pérola Clínica

Ideação passiva ('preferia estar morto') sem plano estruturado indica risco, mas sua previsibilidade é limitada.

Resumo-Chave

A avaliação do risco de suicídio em adolescentes exige diferenciar ideação ativa (com plano) de passiva (desejo de morte), considerando o contexto psicossocial.

Contexto Educacional

A avaliação do risco de suicídio é uma das tarefas mais complexas na prática clínica, especialmente na hebiatria. O suicídio é uma das principais causas de morte entre adolescentes, e a identificação precoce de sinais de alerta é crucial. No caso clínico, o adolescente apresenta 'ideação suicida passiva' (expressa o desejo de não viver, mas não detalha como faria). A literatura médica e as diretrizes de psiquiatria enfatizam que, embora existam escalas de risco, a previsibilidade de um evento suicida é baixa, pois o risco é dinâmico e pode mudar rapidamente diante de novos estressores. Portanto, a afirmação de que o risco 'não pode ser previsto' com precisão matemática reflete a realidade da prática clínica, exigindo vigilância contínua e manejo dos fatores de risco modificáveis.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a ideação suicida passiva?

A ideação suicida passiva é caracterizada pelo desejo de estar morto ou de dormir e não acordar, mas sem a formulação de um plano específico, método ou intenção imediata de autoextermínio. É um sinal de alerta que requer investigação profunda, mas difere da ideação ativa.

Quais os principais fatores de risco no caso apresentado?

Os fatores de risco incluem: sexo masculino, uso de substâncias (maconha), conflitos familiares, isolamento social (trancado no quarto), queda no rendimento escolar, agressividade e eventos estressores recentes (término de namoro).

Como proceder diante de um adolescente com ideação suicida?

Deve-se realizar uma anamnese detalhada em ambiente seguro, garantindo o sigilo (com as exceções legais de risco de vida), avaliar a presença de planos e acesso a meios, envolver a família no suporte e encaminhar para acompanhamento especializado em saúde mental.

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