HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2022
Antonela parecia cada vez pior. A morte do seu filho foi desoladora. Apesar de estar tentando cuidar melhor das crianças, a cada ida ao posto, sua tristeza ficava mais aparente. Numa das vezes, Antonela não aguentou e começou a chorar. O médico, então, percebe que é hora de avaliar melhor a situação. Ao longo da conversa, Antonela explicita suas dificuldades e confessa: "Antes de ontem, comprei um pouco de chumbinho (veneno de rato, altamente tóxico). Mandei os meninos para a casa da vizinha e já olhei um lugar mais afastado, perto do açude para que ninguém me veja. Doutor, eu moro só com os meninos... não existe ninguém por mim... Não vejo a hora disso acabar..." Diante deste contexto, assinale a alternativa que demonstra a conduta mais adequada ao caso:
Risco de suicídio: Plano elaborado + meio letal + falta de suporte social → Avaliação psiquiátrica URGENTE.
A presença de um plano detalhado para o suicídio, acesso a meios letais (como o 'chumbinho'), e a percepção de ausência de suporte social são fatores de altíssimo risco para suicídio. Nesses casos, a conduta mais adequada é a avaliação psiquiátrica de urgência e a garantia de um ambiente seguro para o paciente, não apenas o tratamento ambulatorial da depressão.
A avaliação do risco de suicídio é uma das responsabilidades mais críticas na prática médica, especialmente em pacientes com transtornos de humor como a depressão. A ideação suicida é um sintoma grave que exige atenção imediata, e a capacidade de identificar os fatores de alto risco é fundamental para prevenir desfechos fatais. Fatores como a presença de um plano detalhado, acesso a métodos letais, ausência de suporte social e um histórico de tentativas anteriores aumentam exponencialmente a urgência da intervenção.
Os principais fatores de risco incluem história prévia de tentativa de suicídio, transtornos mentais (depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia), abuso de substâncias, acesso a meios letais, desesperança, ausência de suporte social, eventos estressores recentes e ideação suicida com plano.
A avaliação psiquiátrica de urgência é necessária quando há ideação suicida ativa com plano, acesso a meios letais, intenção clara de morrer, ausência de suporte social, ou quando o paciente apresenta alto nível de desespero e impulsividade.
O médico deve garantir a segurança imediata do paciente, remover meios letais, realizar uma avaliação psiquiátrica de urgência, considerar a internação hospitalar se o risco for iminente e estabelecer um plano de segurança com acompanhamento intensivo.
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