Risco de Suicídio: Avaliação e Conduta de Urgência

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2022

Enunciado

Antonela parecia cada vez pior. A morte do seu filho foi desoladora. Apesar de estar tentando cuidar melhor das crianças, a cada ida ao posto, sua tristeza ficava mais aparente. Numa das vezes, Antonela não aguentou e começou a chorar. O médico, então, percebe que é hora de avaliar melhor a situação. Ao longo da conversa, Antonela explicita suas dificuldades e confessa: "Antes de ontem, comprei um pouco de chumbinho (veneno de rato, altamente tóxico). Mandei os meninos para a casa da vizinha e já olhei um lugar mais afastado, perto do açude para que ninguém me veja. Doutor, eu moro só com os meninos... não existe ninguém por mim... Não vejo a hora disso acabar..." Diante deste contexto, assinale a alternativa que demonstra a conduta mais adequada ao caso:

Alternativas

  1. A) Em geral, pacientes com depressão, que comunicam o desejo de morrer, têm um traço de histeria associado. A conduta correta é tratar a depressão com um inibidor de recaptação da serotonina e marcar retorno para sete dias.
  2. B) O diagnóstico é de depressão com sintomas psicóticos, sendo necessário o uso de antidepressivo associado a um antipsicótico (Risperidona). Deve-se marcar retorno em dois dias.
  3. C) Pacientes que choram em consulta indicam a necessidade de uso de benzodiazepínico. É necessário marcar um retorno em sete dias para a reavaliação.
  4. D) O diagnóstico provável é de depressão e existe risco real de suicídio. A ausência de suporte social e o plano elaborado para a tentativa de suicídio indicam a necessidade de avaliação psiquiátrica de urgência. 
  5. E) O diagnóstico é de depressão maior. No caso deve ser prescrito fluoxetina associado a benzodiazepínico para melhoria dos sintomas.

Pérola Clínica

Risco de suicídio: Plano elaborado + meio letal + falta de suporte social → Avaliação psiquiátrica URGENTE.

Resumo-Chave

A presença de um plano detalhado para o suicídio, acesso a meios letais (como o 'chumbinho'), e a percepção de ausência de suporte social são fatores de altíssimo risco para suicídio. Nesses casos, a conduta mais adequada é a avaliação psiquiátrica de urgência e a garantia de um ambiente seguro para o paciente, não apenas o tratamento ambulatorial da depressão.

Contexto Educacional

A avaliação do risco de suicídio é uma das responsabilidades mais críticas na prática médica, especialmente em pacientes com transtornos de humor como a depressão. A ideação suicida é um sintoma grave que exige atenção imediata, e a capacidade de identificar os fatores de alto risco é fundamental para prevenir desfechos fatais. Fatores como a presença de um plano detalhado, acesso a métodos letais, ausência de suporte social e um histórico de tentativas anteriores aumentam exponencialmente a urgência da intervenção.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para suicídio que devem ser avaliados?

Os principais fatores de risco incluem história prévia de tentativa de suicídio, transtornos mentais (depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia), abuso de substâncias, acesso a meios letais, desesperança, ausência de suporte social, eventos estressores recentes e ideação suicida com plano.

Quando é necessária uma avaliação psiquiátrica de urgência em casos de ideação suicida?

A avaliação psiquiátrica de urgência é necessária quando há ideação suicida ativa com plano, acesso a meios letais, intenção clara de morrer, ausência de suporte social, ou quando o paciente apresenta alto nível de desespero e impulsividade.

Como o médico deve agir diante de um paciente com alto risco de suicídio?

O médico deve garantir a segurança imediata do paciente, remover meios letais, realizar uma avaliação psiquiátrica de urgência, considerar a internação hospitalar se o risco for iminente e estabelecer um plano de segurança com acompanhamento intensivo.

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