Avaliação de Risco Perioperatório e Capacidade Funcional

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (DF) — Prova 2024

Enunciado

A avaliação clínica perioperatória é descrita como análise clínica que objetiva quantificar o risco de complicações clínicas perioperatórias. Essa avaliação deve ser baseada em variáveis clínicas e em resultados de exames subsidiários (quando indicados) e deve considerar os riscos de complicações cardíacas e não cardíacas.Manual do residente de clínica médica. Maria Helena Sampaio Favarato et al. 3.ª ed. - Santana de Parnaíba/SP: Manole, 2023.Considerando o texto acima apenas de caráter informativo sobre avaliação clínica perioperatória bem como sua importância e seus assuntos correlatos, julgue:Figuram entre a avaliação geral de risco índice de atividade de Duke, atividade básicas e instrumentais de vida diária, mas não o índice de Karnofsky, por não conter preditores laboratoriais específicos.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Capacidade funcional (Duke/Karnofsky) = preditor isolado de risco cirúrgico, independente de exames.

Resumo-Chave

A avaliação funcional, medida por índices como Duke ou Karnofsky, é pilar essencial do risco perioperatório, pois reflete a reserva fisiológica e prediz desfechos adversos sem depender de exames laboratoriais.

Contexto Educacional

A avaliação perioperatória moderna evoluiu de uma simples lista de exames para uma análise estratificada de risco baseada na reserva fisiológica. A capacidade funcional é o principal determinante do prognóstico em cirurgias não cardíacas. O uso de escalas validadas permite ao clínico quantificar o risco de forma objetiva, orientando a necessidade de monitorização intensiva ou otimização pré-operatória. Instrumentos como o Índice de Duke e a escala de Karnofsky são fundamentais para identificar o paciente 'frágil'. A fragilidade clínica está associada a um aumento nas taxas de infecção, tempo de internação prolongado e perda de independência funcional no pós-operatório. Portanto, a avaliação funcional deve ser realizada rotineiramente em todos os pacientes candidatos a procedimentos de médio e grande porte.

Perguntas Frequentes

O que é o Índice de Atividade de Duke e sua relação com METs?

O Índice de Atividade de Duke (DASI) é uma ferramenta clínica que estima a capacidade funcional do paciente através de um questionário sobre atividades cotidianas. O resultado é convertido em Equivalentes Metabólicos (METs). Pacientes incapazes de atingir 4 METs (como subir dois lances de escada ou realizar tarefas domésticas pesadas) apresentam um risco significativamente maior de complicações cardiovasculares perioperatórias, sendo um dos preditores mais robustos na avaliação pré-operatória.

Como a escala de Karnofsky é aplicada no contexto cirúrgico?

Embora amplamente conhecida na oncologia, a escala de Karnofsky (KPS) é uma medida de 'performance status' que avalia o nível de atividade e autonomia do paciente, variando de 0 (óbito) a 100 (normal). No perioperatório, ela serve como um indicador global de fragilidade e reserva funcional. Diferente do que sugerem alguns equívocos, ela não depende de parâmetros laboratoriais, baseando-se estritamente na observação clínica e funcionalidade do indivíduo.

Por que a avaliação funcional é superior a exames laboratoriais isolados no risco cirúrgico?

A capacidade funcional é um integrador dinâmico dos sistemas cardiovascular, respiratório e musculoesquelético. Enquanto exames laboratoriais oferecem uma visão estática, a funcionalidade (medida por Duke ou Karnofsky) reflete como o organismo responde ao estresse. Evidências demonstram que a baixa reserva funcional é um preditor independente de mortalidade e complicações pós-operatórias, muitas vezes superando achados isolados em exames complementares de rotina.

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