NRS-2002: Avaliação Nutricional em Cirurgia Oncológica

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente feminino de 72 anos com queixa de perda ponderal de 7% do seu peso em 2 meses sem mudança do padrão alimentar, dor abdominal, adinamia, deu entrada no pronto atendimento com quadro obstrutivo agudo e foi diagnosticada com tumor de sigmóide. Foi submetida a retossigmoidectomia na urgência com anastomose primária e durante pós operatório evoluiu com quadro de íleo mais prolongado. Considerando a doença de base, o porte da cirurgia e o quadro atual, assinale a alternativa incorreta:

Alternativas

  1. A) Pelo NRS-2002 a paciente apresenta alto risco nutricional e deve receber intervenção nutricional precoce.
  2. B) Para melhora do íleo pós operatório deve-se hidratar paciente com parcimônia, não passando de 30ml/kg.
  3. C) Pelo NRS-2002 a paciente apresenta baixo risco nutricional e deve ser reavaliada semanalmente.
  4. D) Para melhora do íleo pós operatório deve-se iniciar deambulação precoce, o que também auxilia na prevenção de TVP.
  5. E) Para melhora do íleo pós operatório deve-se diminuir o uso de opiáceos.

Pérola Clínica

Paciente oncológico com perda ponderal significativa tem alto risco nutricional (NRS-2002), exigindo intervenção precoce.

Resumo-Chave

A paciente apresenta múltiplos fatores de risco nutricional (idade >70, câncer, perda ponderal >5%). Pelo NRS-2002, ela tem alto risco e necessita de intervenção nutricional precoce, não reavaliação semanal.

Contexto Educacional

A avaliação do risco nutricional em pacientes cirúrgicos, especialmente os oncológicos e idosos, é um pilar fundamental da recuperação pós-operatória. O NRS-2002 (Nutritional Risk Screening 2002) é uma ferramenta validada para identificar pacientes em risco e indicar intervenção nutricional precoce, um tema crucial para residentes. A paciente do caso apresenta múltiplos fatores de risco: idade avançada (72 anos), diagnóstico de câncer de sigmoide, perda ponderal significativa (7% em 2 meses), e um quadro de íleo prolongado. Todos esses fatores contribuem para um alto risco nutricional pelo NRS-2002, o que exige uma intervenção nutricional ativa e não apenas reavaliação semanal. A desnutrição pré-operatória está associada a maiores taxas de complicações e mortalidade. Além da intervenção nutricional, o manejo do íleo pós-operatório envolve estratégias como a deambulação precoce, que estimula a motilidade intestinal e previne complicações tromboembólicas, e a hidratação parcimoniosa para evitar edema de alça. A redução do uso de opioides, que sabidamente deprimem a motilidade gastrointestinal, também é uma medida importante para acelerar a recuperação da função intestinal.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios do NRS-2002 para identificar alto risco nutricional?

O NRS-2002 avalia o estado nutricional (IMC, perda de peso, ingestão alimentar) e a gravidade da doença. Pontuações elevadas (>3) indicam alto risco, como em pacientes com câncer, perda de peso significativa e idade avançada.

Como a deambulação precoce e a redução de opioides auxiliam na melhora do íleo pós-operatório?

A deambulação precoce estimula a motilidade intestinal e reduz o tempo de íleo. A diminuição do uso de opioides é importante, pois esses fármacos são conhecidos por inibir a motilidade gastrointestinal, prolongando o íleo.

Qual a importância da hidratação parcimoniosa no pós-operatório de cirurgia abdominal?

A hidratação excessiva pode levar a edema de alça intestinal, o que pode agravar e prolongar o íleo pós-operatório. A hidratação parcimoniosa, geralmente não excedendo 30ml/kg/dia, é recomendada para evitar essa complicação.

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