FRAX: Avaliação do Risco de Fratura em Idosos

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2021

Enunciado

Idosa de 71 anos, viúva e aposentada, procura seu médico de família porque está preocupada com o risco de fratura óssea. Reside em casa de dois andares com sua mãe de 86 anos, que sofreu fratura de quadril aos 70 anos, sendo sua única cuidadora. Relata que sempre praticou atividade física e atualmente realiza caminhadas cinco vezes por semana. Não é tabagista, mas refere consumo de álcool (3 doses/dia); tem 57kg e mede 153cm. Sua dieta é rica em legumes, verduras e frutas, come pouco carboidrato e açúcar. Informa, ainda, que não conseguiu realizar densitometria óssea. O médico decide calcular o FRAX clínico, que mostra um valor de 12% para fratura maior e de 6,5% para fratura de quadril. De acordo com o caso, é correto afirmar que o(a):

Alternativas

  1. A) densitometria óssea é necessária para a avaliação do risco de fratura óssea
  2. B) risco calculado tanto para fratura de quadril quanto para fratura maior são baixos
  3. C) tratamento farmacológico não pode ser recomendado somente pela avaliação do FRAX
  4. D) probabilidade de fratura em 10 anos é baixa para fratura maior e alta para fratura de quadril

Pérola Clínica

FRAX: Risco de fratura de quadril >3% ou fratura maior >20% (Brasil) → considerar tratamento.

Resumo-Chave

O FRAX é uma ferramenta importante para avaliar o risco de fraturas osteoporóticas em 10 anos. No Brasil, os pontos de corte para considerar tratamento farmacológico são >3% para fratura de quadril e >20% para fratura osteoporótica maior. No caso, 6,5% para quadril é alto, enquanto 12% para fratura maior é baixo.

Contexto Educacional

A avaliação do risco de fratura em idosos é fundamental para a prevenção da osteoporose e suas complicações. A ferramenta FRAX (Fracture Risk Assessment Tool) é amplamente utilizada para estimar a probabilidade de fraturas osteoporóticas maiores (coluna, antebraço, quadril ou úmero) e de quadril em 10 anos. Ela incorpora diversos fatores de risco clínicos, como idade, sexo, IMC, história prévia de fratura, história familiar de fratura de quadril, tabagismo, uso de glicocorticoides, artrite reumatoide, outras causas de osteoporose secundária e consumo de álcool. A interpretação do FRAX é crucial para a tomada de decisão clínica. No Brasil, as diretrizes geralmente consideram um risco elevado para fratura de quadril quando a probabilidade é ≥ 3% e para fratura osteoporótica maior quando é ≥ 20%. Pacientes que atingem esses limiares podem se beneficiar de tratamento farmacológico, mesmo na ausência de densitometria óssea, especialmente se o exame não for disponível ou houver contraindicação. No caso apresentado, a paciente tem um risco de fratura de quadril de 6,5%, que é considerado alto, e um risco de fratura maior de 12%, que é considerado baixo pelos critérios brasileiros. Portanto, a decisão de iniciar o tratamento farmacológico deve ser baseada principalmente no risco de fratura de quadril, que é o mais impactante em termos de morbimortalidade. A densitometria óssea complementa a avaliação, mas não é um pré-requisito absoluto para iniciar a terapia em casos de alto risco clínico.

Perguntas Frequentes

O que é a ferramenta FRAX e para que serve?

O FRAX (Fracture Risk Assessment Tool) é uma ferramenta que calcula a probabilidade de fratura osteoporótica maior e de fratura de quadril em 10 anos, utilizando dados clínicos do paciente, com ou sem a densidade mineral óssea.

Quais são os pontos de corte do FRAX para indicação de tratamento no Brasil?

No Brasil, geralmente considera-se alto risco e indicação de tratamento farmacológico quando a probabilidade de fratura de quadril em 10 anos é ≥ 3% ou a probabilidade de fratura osteoporótica maior é ≥ 20%.

A densitometria óssea é sempre necessária para iniciar o tratamento da osteoporose?

Não necessariamente. Em pacientes com alto risco clínico de fratura avaliado pelo FRAX (acima dos pontos de corte), o tratamento farmacológico pode ser iniciado mesmo sem a densitometria óssea, especialmente se o exame não for acessível.

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