UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026
Mulher, 72 anos de idade, ex-tabagista (40 anos/maço), diagnosticada com DPOC GOLD II (VEF1 55%), controlada com tiotrópio inalatório diário e salbutamol, submeter-se-á à artroplastia total de quadril eletiva por osteoartrose avançada. Não apresenta exacerbações nos últimos 6 meses ou hospitalizações prévias por insuficiência respiratória. Apresenta saturação de O₂ de 93% em ar ambiente. Radiografia de tórax: normal. ECG: ritmo sinusal. Qual é a conduta mais adequada?
DPOC estável → Manter broncodilatadores + Fisioterapia + Preferir Anestesia Regional.
Pacientes com DPOC estável não necessitam de corticoide profilático ou exames extensos se não houver mudança no status clínico; a anestesia regional reduz o risco de complicações respiratórias.
O manejo perioperatório de pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) foca na redução das Complicações Pulmonares Pós-operatórias (CPP), que são causas significativas de morbimortalidade. A avaliação deve classificar a gravidade da doença (critérios GOLD) e a estabilidade clínica. Pacientes estáveis devem manter sua terapia inalatória habitual até o dia da cirurgia. A fisioterapia respiratória pré e pós-operatória, incluindo exercícios de expansão e uso de inspirômetros de incentivo, demonstra benefício na redução de atelectasias. A escolha da técnica anestésica e o controle rigoroso da dor pós-operatória (evitando depressão respiratória por opioides) são pilares fundamentais para o sucesso cirúrgico em pacientes pneumopatas.
O uso de corticosteroides sistêmicos no pré-operatório deve ser reservado para pacientes que apresentam exacerbação aguda dos sintomas respiratórios ou que possuem um VEF1 significativamente abaixo do seu basal habitual, visando a otimização clínica antes do procedimento. Em pacientes estáveis (como no caso GOLD II sem exacerbações recentes), o corticoide profilático não é indicado e pode aumentar o risco de infecções e atraso na cicatrização.
A anestesia regional (bloqueios de eixo neural ou periféricos) é preferível porque evita a instrumentação da via aérea, reduz a necessidade de ventilação mecânica invasiva e minimiza o uso de opioides sistêmicos no pós-operatório imediato. Isso resulta em menor incidência de atelectasias, pneumonia pós-operatória e falência respiratória, complicações comuns em pacientes com reserva pulmonar limitada.
Para cirurgias de médio/grande porte, recomenda-se a realização de radiografia de tórax e, em casos de DPOC moderado a grave ou sintomas não controlados, a espirometria recente para avaliar a gravidade da obstrução. A gasometria arterial é reservada para pacientes com VEF1 < 50% do previsto ou saturação de O2 persistentemente baixa em ar ambiente para avaliar hipercapnia basal.
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