Grupo OPTY - Rede de Oftalmologia — Prova 2024
Segundo dados do DATASUS, em 2019 foram realizados mais de 5 milhões de procedimentos cirúrgicos, com mortalidade perioperatória geral de 1,6%. Com o envelhecimento da população e o aumento da expectativa de vida, tais procedimentos são realizados em uma população com idade média mais avançada e prevalência de maior comorbidades. Nesse contexto, avaliação clínica perioperatória ganha cada vez mais importância na tentativa de diminuir comorbidades e a mortalidade perioperatórias.Manual do Residente de Clínica Médica. Maria Helena Sampaio Favarato et al. – 3.a ed. Santana de Parnaíba-SP: Manole, 2023.Tendo o texto apenas como caráter informativo e levando em conta o tema que ele suscita e seus conhecimentos prévios, julgue o item.Quanto à avaliação geral do nível de atividade do paciente, é importante mencionar diversas ferramentas de medição, como as Escalas de Duke, as Atividades Instrumentais de Vida Diária, bem como escalas específicas no contexto oncológico, a exemplo do Eastern Cooperative Oncology Group e da Escala de Karnofsky. Além disso, para a classificação adequada destas últimas, é relevante considerar exames complementares, como hemograma, avaliação da função renal, dos níveis de transaminases e do coagulograma.
ECOG e Karnofsky = Performance clínica funcional; NÃO dependem de exames laboratoriais.
A avaliação da capacidade funcional baseia-se na autonomia e desempenho físico do paciente. Escalas como ECOG e Karnofsky são estritamente clínicas e observacionais.
A avaliação perioperatória moderna foca na reserva funcional do paciente. O envelhecimento populacional traz comorbidades complexas, tornando a avaliação da capacidade funcional (medida em METs ou escalas de performance) um pilar central para a estratificação de risco. Escalas como Karnofsky e ECOG, oriundas da oncologia, foram transpostas para a clínica geral para padronizar o status de performance. É crucial que o médico residente compreenda que essas ferramentas são subjetivas e baseadas na funcionalidade real, diferenciando-as de escores de gravidade que utilizam variáveis laboratoriais, como o MELD ou o APACHE II. A correta identificação de um paciente com baixa reserva funcional permite o planejamento de cuidados intensivos pós-operatórios e a otimização de riscos.
A escala do Eastern Cooperative Oncology Group (ECOG) avalia o nível de funcionalidade e autocuidado de pacientes, variando de 0 (totalmente ativo) a 5 (óbito). É fundamental para determinar a tolerância a tratamentos agressivos, como cirurgias e quimioterapia, baseando-se apenas na observação clínica da capacidade do paciente de realizar atividades diárias, sem necessidade de exames complementares para sua definição.
A Escala de Duke estima a capacidade funcional em equivalentes metabólicos (METs). Pacientes que não conseguem atingir 4 METs (como subir dois lances de escada ou realizar tarefas domésticas pesadas) apresentam maior risco de eventos cardiovasculares perioperatórios. É um preditor independente de morbimortalidade mais fidedigno que muitos exames de imagem em pacientes estáveis.
Não diretamente na pontuação das escalas de performance. Embora anemia ou insuficiência renal possam causar sintomas que reduzam a funcionalidade, as escalas (Karnofsky, ECOG) medem o resultado final: o que o paciente consegue fazer. A classificação em si é baseada no relato e exame físico, não nos valores de hemoglobina ou creatinina.
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