Risco Cirúrgico para Facectomia: Quando Pedir ECG?

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2018

Enunciado

Foi solicitado para um paciente assintomático, com catarata com grande perda visual e com história prévia de infarto agudo do miocárdio (há oito anos) um Eletrocardiograma (ECG) para avaliação do risco cirúrgico e realização da facectomia. O ECG demonstrou necrose elétrica em parede inferior. Diante desse resultado, a solicitação do ECG:

Alternativas

  1. A) Foi bem adequada e deve-se suspender a cirurgia para catarata.
  2. B) Foi bem adequada, embora não mude a indicação do procedimento cirúrgico.
  3. C) Não foi adequada, atrasou o procedimento e não alterou a indicação da cirurgia.
  4. D) Não foi adequada, mas trouxe um resultado que altera a indicação da intervenção.

Pérola Clínica

ECG pré-operatório em paciente assintomático com IAM prévio > 1 ano para cirurgia de baixo risco (catarata) não é indicado e não altera conduta.

Resumo-Chave

Em pacientes assintomáticos com história de infarto agudo do miocárdio (IAM) há mais de um ano, e que serão submetidos a cirurgias de baixo risco (como a facectomia), a realização de ECG pré-operatório de rotina não é recomendada pelas diretrizes atuais. O resultado de necrose antiga no ECG não altera o manejo ou a indicação cirúrgica neste cenário, apenas atrasa o procedimento.

Contexto Educacional

A avaliação de risco cirúrgico pré-operatória visa otimizar as condições do paciente para o procedimento, minimizando complicações. No entanto, a solicitação excessiva de exames complementares pode gerar custos, atrasos e ansiedade desnecessária, sem alterar a conduta clínica. É crucial seguir as diretrizes baseadas em evidências para uma abordagem custo-efetiva e segura. Para pacientes assintomáticos com história de infarto agudo do miocárdio (IAM) ocorrido há mais de um ano, submetidos a cirurgias de baixo risco cardíaco, como a facectomia para catarata, as diretrizes atuais (como as do ACC/AHA) geralmente não recomendam a realização de exames complementares como o eletrocardiograma (ECG) de rotina. A presença de necrose elétrica antiga no ECG, nesse cenário, representa uma sequela de um evento prévio e não indica isquemia ativa ou risco aumentado para a cirurgia de baixo risco, desde que o paciente esteja clinicamente estável e assintomático. Portanto, a solicitação do ECG neste caso específico foi inadequada, pois não trouxe informações que modificassem a indicação ou o manejo da cirurgia de catarata, que é um procedimento de baixo risco. A conduta correta seria prosseguir com a cirurgia, sem a necessidade de investigação cardiológica adicional, evitando atrasos desnecessários e otimizando o fluxo de atendimento.

Perguntas Frequentes

Quando o ECG pré-operatório é indicado em cirurgias não cardíacas?

O ECG pré-operatório é indicado para pacientes com doença cardiovascular ativa, arritmias significativas, doença arterial periférica, doença cerebrovascular ou para cirurgias de risco intermediário a alto, especialmente em idosos ou com múltiplos fatores de risco.

Qual o risco cardíaco de uma cirurgia de catarata?

A cirurgia de catarata (facectomia) é considerada uma cirurgia de baixo risco cardíaco, com eventos cardíacos maiores ocorrendo em menos de 1% dos pacientes.

Um IAM prévio sempre exige investigação cardíaca adicional antes da cirurgia?

Não necessariamente. Se o IAM ocorreu há mais de 1 ano e o paciente está assintomático e sem evidência de isquemia, a investigação adicional para cirurgias de baixo risco geralmente não é necessária, conforme as diretrizes atuais.

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