Risco Cirúrgico Cardíaco: Goldman e ASA na Avaliação Pré-Operatória

UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2015

Enunciado

T.V.Z., homem, 73 anos, necessita realizar tratamento cirúrgico de hérnia inguinal bilateral. Entretanto, devido sua idade, e ao fato de apresentar hipertensão arterial bem controlada com uso de anlodipina, ele e sua família estão preocupados com os riscos da operação. Passou em avaliação com o cardiologista que o classificou como classe I de Goldman. Na consulta com o anestesiologista, foi classificado como classe II de ASA (American Society of Anesthesiologists). Isso significa que:

Alternativas

  1. A) O risco de morte de origem cardíaca para o doente em questão é aproximadamente 0,2%.
  2. B) Com oito pontos atribuídos pela idade, utilizando-se a classificação de Goldman, o doente apresenta probabilidade de não complicação de 86%.
  3. C) O doente não está apto a ser operado, tendo em vista que, com a classificação ASA II tem alta probabilidade de apresentar evento cardíaco no período intraoperatório.
  4. D) O doente está apto a ser operado, mas deve passar o período pós-operatório imediato em Unidade de Tratamento Intensivo.
  5. E) Os riscos potenciais à vida do doente em questão são de aproximadamente 11%.

Pérola Clínica

Goldman Classe I e ASA II → baixo risco cardíaco perioperatório (<1% de morte cardíaca).

Resumo-Chave

A classificação de Goldman (ou Índice de Risco Cardíaco Revisado de Lee) e a classificação ASA são ferramentas essenciais na avaliação pré-operatória para estratificar o risco de eventos cardíacos e mortalidade. Goldman Classe I indica um risco muito baixo, enquanto ASA II representa doença sistêmica leve, bem controlada.

Contexto Educacional

A avaliação de risco cirúrgico é um pilar fundamental na medicina perioperatória, visando identificar pacientes com maior probabilidade de complicações e otimizar sua condição antes da cirurgia. Ferramentas como a Classificação de Goldman (ou Índice de Risco Cardíaco Revisado de Lee) e a Classificação da American Society of Anesthesiologists (ASA) são amplamente utilizadas para estratificar o risco cardíaco e o estado físico geral do paciente, respectivamente. Compreender essas classificações é essencial para a tomada de decisões clínicas e para a comunicação eficaz com o paciente e sua família. A Classificação de Goldman atribui pontos a fatores de risco cardíaco específicos, como tipo de cirurgia, histórico de doença coronariana, insuficiência cardíaca, doença cerebrovascular, diabetes mellitus em uso de insulina e creatinina elevada. A soma desses pontos categoriza o paciente em classes de risco, correlacionadas com a probabilidade de eventos cardíacos maiores (infarto agudo do miocárdio, edema agudo de pulmão, fibrilação ventricular ou morte cardíaca) no período perioperatório. A Classificação ASA, por sua vez, é uma avaliação mais geral do estado de saúde do paciente, variando de ASA I (paciente saudável) a ASA VI (paciente com morte cerebral). Um paciente ASA II, como no caso, indica doença sistêmica leve e bem controlada. Para residentes, é crucial saber aplicar essas classificações e interpretar seus resultados. Um paciente Goldman Classe I e ASA II, mesmo idoso, geralmente apresenta um risco muito baixo de complicações cardíacas graves, como morte de origem cardíaca, que pode ser tão baixa quanto 0,2%. A conduta deve focar na otimização contínua das condições clínicas e no planejamento anestésico adequado, sem a necessidade de medidas extraordinárias como internação em UTI apenas pelo risco basal, a menos que outras intercorrências surjam.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios da Classificação de Goldman para risco cardíaco?

A Classificação de Goldman, ou Índice de Risco Cardíaco Revisado de Lee, avalia seis fatores: tipo de cirurgia, história de doença coronariana, insuficiência cardíaca, doença cerebrovascular, diabetes mellitus em uso de insulina e creatinina > 2,0 mg/dL. Cada fator atribui pontos para estratificar o risco.

O que significa a classificação ASA II na avaliação pré-operatória?

A classificação ASA II indica que o paciente possui uma doença sistêmica leve, bem controlada, sem limitação funcional significativa. Exemplos incluem hipertensão controlada, diabetes mellitus tipo 2 sem complicações ou obesidade leve.

Qual a importância da avaliação pré-operatória em pacientes idosos?

A avaliação pré-operatória em idosos é crucial para otimizar condições clínicas, identificar comorbidades não diagnosticadas e estratificar riscos específicos, como os cardíacos e pulmonares, visando reduzir a morbimortalidade perioperatória.

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