Risco Cardiovascular Perioperatório em Cirurgias de Emergência

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (DF) — Prova 2024

Enunciado

A avaliação clínica perioperatória é descrita como análise clínica que objetiva quantificar o risco de complicações clínicas perioperatórias. Essa avaliação deve ser baseada em variáveis clínicas e em resultados de exames subsidiários (quando indicados) e deve considerar os riscos de complicações cardíacas e não cardíacas.Manual do residente de clínica médica. Maria Helena Sampaio Favarato et al. 3.ª ed. - Santana de Parnaíba/SP: Manole, 2023.Considerando o texto acima apenas de caráter informativo sobre avaliação clínica perioperatória bem como sua importância e seus assuntos correlatos, julgue:As complicações cardíacas são a principal causa de mortalidade no pós-operatório sendo imprescindível a avaliação perioperatória principalmente em cirurgias cardíacas de emergência.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Cirurgia de emergência → Não se adia para avaliação de risco; o risco do atraso supera o benefício da estratificação.

Resumo-Chave

Embora complicações cardíacas sejam causas principais de óbito pós-operatório, em cirurgias de emergência a avaliação detalhada é contraindicada, pois o tempo é o fator determinante para a sobrevida.

Contexto Educacional

A avaliação perioperatória visa quantificar e reduzir riscos. No entanto, a aplicação dessa avaliação depende estritamente do tempo disponível. As diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e da AHA/ACC são claras: se a cirurgia é de emergência, a avaliação de risco não deve atrasar o procedimento. O erro da afirmação na questão reside em dizer que a avaliação é 'imprescindível principalmente em cirurgias cardíacas de emergência'. Na verdade, é justamente na emergência que a avaliação formal é suprimida em favor da rapidez. O foco na emergência é o suporte de vida e a resolução do problema cirúrgico, com monitorização cardiovascular intraoperatória rigorosa, mas sem a estratificação prévia detalhada.

Perguntas Frequentes

Qual a principal causa de morte pós-operatória?

As complicações cardiovasculares, especialmente o infarto agudo do miocárdio perioperatório e a insuficiência cardíaca descompensada, figuram entre as principais causas de morbimortalidade em pacientes submetidos a cirurgias não cardíacas. A resposta ao estresse cirúrgico, que envolve ativação simpática, inflamação sistêmica e alterações na coagulação, sobrecarrega o sistema cardiovascular. Por esse motivo, a estratificação de risco é um componente essencial do cuidado pré-operatório em cirurgias eletivas, permitindo a otimização de medicações como betabloqueadores e estatinas, ou mesmo intervenções coronárias prévias quando indicadas.

Pode-se adiar cirurgia de emergência para avaliar o coração?

Não. Em cenários de emergência (risco de vida ou perda de membro em menos de 6 horas), a avaliação cardiovascular detalhada e a realização de exames subsidiários demorados são contraindicadas. O benefício da intervenção cirúrgica imediata para resolver a patologia aguda supera qualquer benefício potencial de uma estratificação de risco cardíaco. Nesses casos, o paciente segue diretamente para a sala cirúrgica, e o manejo cardiovascular é feito de forma empírica e intensiva durante e após o procedimento. O adiamento para 'pedir exames' em uma emergência é considerado um erro grave de conduta.

Como é feita a avaliação em cirurgias de urgência?

Diferente da emergência, na urgência (tempo de 6 a 24 horas) pode haver espaço para uma avaliação clínica rápida e otimização hemodinâmica básica. No entanto, exames de estresse (como cintilografia ou ecocardiograma de estresse) ainda não são indicados, pois não haveria tempo para uma intervenção baseada neles sem prejudicar o desfecho cirúrgico. A prioridade é a estabilização clínica mínima e o controle de sintomas. A avaliação perioperatória completa, com exames complementares extensos, é reservada exclusivamente para procedimentos eletivos onde o risco pode ser mitigado com tempo.

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