Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2022
Um paciente de 22 anos de idade foi levado ao pronto-socorro pelo resgate, por trauma. O paciente foi vítima de agressão, com múltiplos golpes pelo corpo. Em sua avaliação inicial: grande quantidade de sangue em nariz e boca; desvio da mandíbula à abertura da boca; murmúrio vesicular diminuído à esquerda, com hipertimpanismo; FR de 24 irpm; sat. de O₂ de 93%; FC de 110 bpm; PA de 110 x 70 mmHg; sangramento ativo em ferimento cortocontuso em membro superior direito; pupilas isofotorreagentes; escala de coma de Glasgow igual a 14; e escoriações em membro superior esquerdo, membros inferiores, tórax e dorso. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a primeira conduta a ser adotada.
Em trauma, prioridade é via aérea: sangramento oronasal + desvio de mandíbula + Glasgow 14 → intubação e colar cervical.
A avaliação inicial de um paciente traumatizado segue o protocolo ATLS, priorizando a estabilização da via aérea (A), respiração (B) e circulação (C). O paciente apresenta sinais de comprometimento de via aérea (sangue em nariz/boca, desvio de mandíbula) e risco de deterioração neurológica (Glasgow 14, trauma facial). A colocação de colar cervical para proteção da coluna e a intubação orotraqueal para controle da via aérea são as condutas mais urgentes.
O manejo do paciente politraumatizado segue o protocolo Advanced Trauma Life Support (ATLS), que estabelece uma abordagem sistemática e priorizada para identificar e tratar lesões que ameaçam a vida. A avaliação primária (ABCDE) é a pedra angular, começando pela via aérea (A) com proteção da coluna cervical, seguida pela respiração (B), circulação (C), avaliação neurológica (D) e exposição (E). A rápida identificação de problemas e intervenção imediata são cruciais para a sobrevida. No caso apresentado, o paciente sofreu trauma facial (sangue em nariz e boca, desvio de mandíbula), o que compromete diretamente a via aérea e aumenta o risco de aspiração. Embora o Glasgow seja 14, o trauma facial e o sangramento oronasal indicam a necessidade de controle definitivo da via aérea. Além disso, a suspeita de pneumotórax à esquerda (murmúrio vesicular diminuído, hipertimpanismo) e a hipóxia (SatO2 93%) reforçam a urgência de estabilização respiratória. A primeira conduta a ser adotada é a proteção da coluna cervical com colar e a intubação orotraqueal para garantir a permeabilidade da via aérea e prevenir a aspiração. Somente após a estabilização da via aérea e respiração é que se deve prosseguir com o manejo do pneumotórax (se hipertensivo, punção de alívio; se simples, drenagem) e do sangramento periférico. A transfusão e exames de imagem são importantes, mas não são a primeira prioridade em um paciente com via aérea comprometida.
A avaliação e o manejo da via aérea são a prioridade máxima no paciente traumatizado (A do ATLS), pois a obstrução ou comprometimento da via aérea pode levar rapidamente à hipóxia e morte. Sinais como sangramento oronasal, trauma facial e Glasgow baixo indicam risco iminente.
A intubação orotraqueal é indicada não apenas em Glasgow < 8, mas também em pacientes com Glasgow mais alto que apresentam risco de comprometimento da via aérea (ex: trauma facial grave, sangramento oronasal volumoso, risco de broncoaspiração) ou hipóxia refratária. A proteção da coluna cervical é sempre concomitante.
Um pneumotórax hipertensivo é uma emergência com desvio de traqueia, turgência jugular, hipotensão e ausência de murmúrio vesicular no lado afetado, exigindo descompressão imediata (punção de alívio). Um pneumotórax simples pode ter murmúrio diminuído e hipertimpanismo, mas sem instabilidade hemodinâmica ou desvio de traqueia, sendo tratado com drenagem torácica após estabilização.
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