Trauma Grave: Prioridade na Via Aérea e Glasgow 8

Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 20 anos de idade, vítima de trauma automóvel versus caminhão em via de alta velocidade, deu entrada no pronto-socorro trazido pelo resgate, com colar cervical e prancha rígida. Sinais vitais: frequência respiratória = 24 movimentos/minuto; saturação de O₂ = 88%, ar ambiente; pressão arterial = 100 x 80 mmHg e frequência cardíaca = 110 batimentos/minuto. Exame físico pulmonar com murmúrios vesiculares diminuídos à direita, percussão timpânica no mesmo local. Abdome com dor difusa à palpação profunda, sem sinais de peritonite. Exame neurológico com pupilas isocóricas e fotorreagentes, pontuação na escala de coma Glasgow = 8. Assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Exame de imagem com tomografia é fundamental e deve ser solicitado na avaliação primária do paciente.
  2. B) Deve-se proceder imediatamente à drenagem de tórax com dreno tubular nº32 pela hipótese de hemotórax.
  3. C) Considerando trauma de baixa energia, a investigação de possível fratura de pelve é desnecessária.
  4. D) A prioridade inicial do atendimento deve ser garantir via aérea segura.

Pérola Clínica

Paciente traumatizado com Glasgow ≤ 8 ou hipoxemia grave (SatO₂ < 90%) → prioridade é garantir via aérea segura (intubação).

Resumo-Chave

O paciente apresenta um trauma de alta energia com Glasgow de 8, indicando trauma cranioencefálico grave e comprometimento da proteção de via aérea. Além disso, a SatO₂ de 88% em ar ambiente é um sinal de hipoxemia significativa. A prioridade absoluta no atendimento ao traumatizado, conforme o ATLS, é a avaliação e manejo da via aérea (A de Airway), especialmente em pacientes com Glasgow ≤ 8.

Contexto Educacional

O atendimento inicial ao paciente traumatizado segue os princípios do Advanced Trauma Life Support (ATLS), que preconiza uma abordagem sistemática e priorizada para identificar e tratar lesões com risco de vida imediato. A avaliação primária (ABCDE) é a pedra angular desse atendimento, com a via aérea (A) sendo a prioridade máxima. Neste caso, o paciente apresenta um trauma de alta energia, com sinais de comprometimento respiratório (SatO₂ 88%, FR 24) e neurológico (Glasgow 8). Um Glasgow de 8 ou menos é um forte indicativo de que o paciente não consegue proteger sua própria via aérea, aumentando o risco de aspiração e hipoventilação. Portanto, a conduta imediata e mais crítica é garantir uma via aérea segura, geralmente por meio de intubação orotraqueal. Somente após a estabilização da via aérea e da respiração é que se deve prosseguir para a avaliação e manejo de outras lesões, como o pneumotórax suspeito e a dor abdominal.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da Escala de Coma de Glasgow no trauma?

A Escala de Coma de Glasgow (ECG) é crucial para avaliar o nível de consciência e a gravidade do trauma cranioencefálico (TCE). Uma pontuação de 8 ou menos indica TCE grave e, geralmente, a necessidade de intubação orotraqueal para proteção da via aérea e ventilação.

Quais são os passos da avaliação primária no trauma (ATLS)?

A avaliação primária segue a sequência ABCDE: A (Airway) - via aérea com proteção da coluna cervical; B (Breathing) - respiração e ventilação; C (Circulation) - circulação com controle de hemorragias; D (Disability) - avaliação neurológica; E (Exposure) - exposição e controle do ambiente.

Quando se deve intubar um paciente traumatizado?

A intubação orotraqueal é indicada em pacientes traumatizados com Glasgow ≤ 8, hipoxemia grave (SatO₂ < 90%) que não responde a oxigenoterapia, hipercapnia, obstrução de via aérea iminente, ou instabilidade hemodinâmica grave que comprometa a ventilação.

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