Avaliação Pré-Operatória: Estratificação de Risco Cardiovascular

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2026

Enunciado

Um paciente masculino de 65 anos, tabagista pesado, com história de DPOC e angina estável (classe funcional II CCS), é avaliado no ambulatório de cirurgia geral para uma colectomia eletiva por adenocarcinoma de cólon. Na consulta pré anestésica, apresenta pressão arterial de 150/95 mmHg em uso irregular de anti hipertensivos, saturação de O2 em ar ambiente de 92% e ECG com sinais de isquemia subendocárdica antiga. O ecocardiograma mostra fração de ejeção de 40%. Com base nas recomendações atuais de avaliação pré operatória e estratificação de risco, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) O paciente deve obrigatoriamente realizar cinecoronariografia antes da cirurgia, uma vez que apresenta angina e disfunção ventricular esquerda.
  2. B) O uso de beta bloqueador deve ser iniciado em dose plena 24 horas antes da cirurgia para redução do risco cardiovascular perioperatório.
  3. C) O exame de espirometria deve ser solicitado de rotina para todo paciente com DPOC candidato à cirurgia abdominal eletiva.
  4. D) A presença de saturação basal de O2 <94% contraindica a realização de cirurgia eletiva, devendo se aguardar otimização clínica completa para agendamento.
  5. E) A avaliação funcional com teste cardiopulmonar (VO2 máximo e METs) pode ser útil para estimar o risco perioperatório, especialmente em pacientes com capacidade funcional incerta.

Pérola Clínica

Paciente com múltiplos fatores de risco cardiovascular e capacidade funcional incerta → Avaliação funcional (VO2 máx/METs) = Útil para estratificação de risco perioperatório.

Resumo-Chave

Em pacientes com múltiplos fatores de risco cardiovascular e pulmonar, como DPOC, angina e disfunção ventricular, a avaliação funcional objetiva com teste cardiopulmonar (VO2 máximo e METs) é uma ferramenta valiosa para estratificar o risco perioperatório, especialmente quando a capacidade funcional é incerta, auxiliando na tomada de decisão e otimização do paciente.

Contexto Educacional

A avaliação pré-operatória em pacientes com múltiplas comorbidades, como o caso descrito, exige uma estratificação de risco cuidadosa. Fatores como idade avançada, tabagismo, DPOC, angina estável, hipertensão e disfunção ventricular esquerda aumentam significativamente o risco de eventos cardiovasculares e pulmonares perioperatórios. As diretrizes atuais enfatizam a importância da avaliação da capacidade funcional do paciente. Enquanto a capacidade funcional pode ser estimada pela história (METs), em pacientes com capacidade incerta ou baixa, testes objetivos como o teste cardiopulmonar de exercício (TCPE) com medida de VO2 máximo e METs fornecem informações valiosas sobre a reserva fisiológica e são preditores independentes de morbimortalidade. A decisão de prosseguir com a cirurgia eletiva ou otimizar o paciente deve ser individualizada, considerando o risco da cirurgia, a urgência do procedimento e o perfil de risco do paciente. O TCPE pode ajudar a identificar pacientes que se beneficiariam de intervenções pré-operatórias ou que teriam um risco inaceitável para a cirurgia proposta.

Perguntas Frequentes

Quando a cinecoronariografia é indicada na avaliação pré-operatória?

A cinecoronariografia não é indicada de rotina. É reservada para pacientes com angina instável, infarto recente, ou para guiar revascularização antes de cirurgias de alto risco em pacientes com doença coronariana grave e sintomas refratários.

Qual o papel dos betabloqueadores no pré-operatório?

Betabloqueadores podem ser úteis em pacientes já em uso ou com indicação clara (ex: angina, ICC). Iniciar em dose plena 24h antes da cirurgia em pacientes virgens pode aumentar o risco de eventos adversos. A titulação deve ser gradual.

Por que a avaliação funcional é importante na estratificação de risco?

A capacidade funcional (medida em METs ou VO2 máximo) é um preditor independente de eventos cardiovasculares perioperatórios. Ela reflete a reserva fisiológica do paciente e sua tolerância ao estresse cirúrgico, sendo crucial para pacientes com capacidade incerta.

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