Avaliação Pré-operatória para Cirurgia de Catarata

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017

Enunciado

Uma paciente com 71 anos de idade e diagnóstico de catarata bilateral definido em avaliação anterior, há 6 meses, é atendida no ambulatório para programação de cirurgia de catarata, categoria de procedimento de pequeno porte e de curta permanência, sob anestesia local. Registradas no prontuário da paciente, constam as seguintes informações: sobrepeso (índice de massa corporal = 26 kg/m²) e hipertensão arterial sistêmica e hipercolesterolemia, em acompanhamento com cardiologista periodicamente (última consulta há 2 meses) e uso de medicação de rotina (propranolol e sinvastatina). Ao exame físico, conclui-se que, da consulta anterior para a atual, não há mudanças na situação clínica da paciente. Entre os cuidados préoperatórios à paciente, qual a conduta médica adequada?

Alternativas

  1. A) Solicitar os seguintes exames laboratoriais: hemograma, glicemia, eletrólitos, bem como a realização de radiografia de tórax e eletrocardiograma, para identificar doenças não detectadas pelo exame clínico; recomendar, ainda, à paciente que interrompa as medicações de uso contínuo uma semana antes da cirurgia.
  2. B) Solicitar exames laboratoriais para verificar taxa de creatinina e ureia, bem como a realização de eletrocardiograma e ecocardiograma transtorácido devido ao diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica; recomendar à paciente que mantenha as medicações de uso contínuo.
  3. C) Solicitar os seguintes exames laboratoriais: hemograma, glicemia e eletrólitos, porque a paciente tem hipertensão arterial sistêmica e mais de 50 anos de idade; recomendar à paciente que interrompa as medicações de uso contínuo na véspera da cirurgia.
  4. D) Dispensar a solicitação de exames, pois a paciente é portadora de hipertensão arterial sistêmica compensada e está sob acompanhamento médico; recomendar à paciente que mantenha as medicações de uso contínuo.

Pérola Clínica

Cirurgia de catarata (baixo risco) + HAS compensada → dispensar exames laboratoriais de rotina.

Resumo-Chave

Para procedimentos oftalmológicos de baixo risco em pacientes clinicamente estáveis e compensados, a solicitação de exames laboratoriais de rotina não altera o desfecho clínico e não é recomendada.

Contexto Educacional

O manejo pré-operatório moderno foca na medicina baseada em valor, evitando exames desnecessários que geram custos e ansiedade sem mudar a conduta médica. A cirurgia de catarata é o exemplo clássico de procedimento onde a avaliação clínica supera a utilidade de exames complementares. Estudos randomizados de larga escala demonstraram que a realização de exames de rotina não reduz a taxa de eventos adversos intra ou pós-operatórios em cirurgias oculares. A manutenção das medicações crônicas é fundamental para garantir a estabilidade hemodinâmica durante o procedimento, especialmente em pacientes idosos com múltiplas comorbidades.

Perguntas Frequentes

Quais exames são obrigatórios antes de uma cirurgia de catarata?

De acordo com as diretrizes atuais da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e da Academia Americana de Oftalmologia, para pacientes assintomáticos e com doenças crônicas (como HAS e Diabetes) bem controladas, nenhum exame laboratorial ou de imagem é obrigatoriamente necessário para a cirurgia de catarata. Isso ocorre porque a cirurgia de catarata é considerada um procedimento de risco cardiovascular muito baixo (menor que 1%), geralmente realizada sob anestesia local e com mínima perda sanguínea ou estresse fisiológico. A avaliação clínica criteriosa substitui a necessidade de exames de rotina.

Deve-se suspender medicações anti-hipertensivas antes da cirurgia?

Não. Medicações de uso contínuo para hipertensão arterial, como o propranolol citado no caso, devem ser mantidas inclusive no dia da cirurgia, sendo ingeridas com o mínimo de água possível se houver necessidade de jejum. A suspensão abrupta de betabloqueadores pode causar hipertensão rebote e taquicardia, aumentando o risco de eventos cardiovasculares perioperatórios. Da mesma forma, estatinas (como a sinvastatina) devem ser mantidas por seu efeito pleiotrópico de estabilização de placas e redução de inflamação.

Quando os exames pré-operatórios tornam-se necessários na oftalmologia?

Os exames devem ser solicitados apenas se houver uma indicação clínica baseada na anamnese e no exame físico. Por exemplo, se o paciente apresentar sinais de insuficiência cardíaca descompensada, angina instável ou arritmias novas, a investigação deve ser aprofundada. No caso de pacientes diabéticos mal controlados, a glicemia de jejum e hemoglobina glicada são importantes para avaliar o risco de complicações pós-operatórias como endoftalmite ou edema macular, mas não necessariamente para a liberação anestésica em si em procedimentos de baixo risco.

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