Avaliação Pré-operatória no Idoso: Função Renal e TFG

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2024

Enunciado

Com o envelhecimento ocorre um declínio da função fisiológica em todos os órgãos, o que acarreta um prejuízo funcional. Nos pacientes geriátricos candidatos a procedimentos cirúrgicos, estes fatores devem ser avaliados com cuidado. Em relação a este tema, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas: I. Com o avançar da idade ocorre um progressivo declínio na taxa de filtração glomerular, resultando em uma capacidade reduzida de regular fluídos e manter o equilíbrio acidobásico... PORTANTO II. É importante medir a taxa de filtração glomerular em pacientes idosos como parte da avaliação de risco pré-operatório e durante a hospitalização.

Alternativas

  1. A) As duas assertivas são proposições verdadeiras, e a segunda é uma justificativa correta da primeira.
  2. B) As duas assertivas são proposições verdadeiras, mas a segunda não é uma justificativa correta da primeira.
  3. C) A primeira assertiva é uma proposição verdadeira, e a segunda é falsa.
  4. D) A primeira assertiva é uma proposição falsa, e a segunda é verdadeira.
  5. E) As duas assertivas são proposições falsas.

Pérola Clínica

Idoso = ↓ Reserva funcional renal; TFG deve ser calculada para ajuste de drogas e fluidos, mesmo com creatinina normal.

Resumo-Chave

O envelhecimento reduz a reserva funcional renal, tornando o idoso vulnerável a distúrbios hidroeletrolíticos e toxicidade medicamentosa, exigindo avaliação rigorosa da TFG no pré-operatório.

Contexto Educacional

O envelhecimento sistêmico impõe desafios únicos ao cirurgião e ao anestesista. A redução da reserva homeostática significa que o intervalo entre a estabilidade e a falência orgânica é estreito. No sistema renal, a perda de néfrons e a redução da resposta à aldosterona e ao ADH tornam o equilíbrio acidobásico e hidroeletrolítico precário. A avaliação pré-operatória deve, portanto, ir além da simples anamnese. A mensuração ou estimativa da TFG é um pilar da segurança do paciente geriátrico, justificando-se pela necessidade de individualizar o manejo de fluidos e evitar a nefrotoxicidade perioperatória. A relação entre o declínio fisiológico (asserção I) e a necessidade de monitorização (asserção II) é direta e causal.

Perguntas Frequentes

Por que a TFG cai com o envelhecimento?

Com o avançar da idade, o rim sofre alterações estruturais e funcionais progressivas, conhecidas como senescência renal. Ocorre uma redução no número de néfrons funcionantes devido à glomeruloesclerose, fibrose tubulointersticial e atrofia cortical. Além disso, há uma diminuição do fluxo sanguíneo renal. Essas mudanças resultam em um declínio fisiológico da Taxa de Filtração Glomerular (TFG), que começa por volta dos 30-40 anos e se acelera após os 65 anos. Essa perda de reserva funcional limita a capacidade do idoso de responder a estresses agudos, como desidratação, uso de contrastes radiológicos ou grandes cirurgias.

Por que a creatinina pode enganar no idoso?

A creatinina sérica é um subproduto do metabolismo da fosfocreatina no músculo esquelético. Como o envelhecimento é frequentemente acompanhado por sarcopenia (perda de massa muscular), a produção endógena de creatinina diminui proporcionalmente. Portanto, um idoso pode apresentar níveis de creatinina dentro da faixa de normalidade laboratorial, mesmo possuindo uma Taxa de Filtração Glomerular significativamente reduzida. Por isso, é fundamental utilizar fórmulas de estimativa da TFG (como CKD-EPI ou Cockcroft-Gault) que considerem idade e peso, em vez de confiar apenas no valor absoluto da creatinina.

Qual o impacto da função renal no perioperatório?

Uma função renal reduzida no perioperatório aumenta drasticamente o risco de complicações. Primeiro, prejudica a excreção de diversos fármacos anestésicos e analgésicos, aumentando o risco de toxicidade e prolongando o tempo de recuperação. Segundo, o rim idoso tem menor capacidade de concentrar a urina e conservar sódio, tornando o paciente extremamente sensível tanto à hipovolemia quanto à sobrecarga hídrica. A monitorização da TFG permite o ajuste preciso da hidratação venosa e das doses de medicamentos, prevenindo a Insuficiência Renal Aguda (IRA) pós-operatória, que está associada a alta mortalidade.

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