Avaliação Pré-operatória: Exames em Pacientes Jovens

Grupo OPTY - Rede de Oftalmologia — Prova 2024

Enunciado

Segundo dados do DATASUS, em 2019 foram realizados mais de 5 milhões de procedimentos cirúrgicos, com mortalidade perioperatória geral de 1,6%. Com o envelhecimento da população e o aumento da expectativa de vida, tais procedimentos são realizados em uma população com idade média mais avançada e prevalência de maior comorbidades. Nesse contexto, avaliação clínica perioperatória ganha cada vez mais importância na tentativa de diminuir comorbidades e a mortalidade perioperatórias.Manual do Residente de Clínica Médica. Maria Helena Sampaio Favarato et al. – 3.a ed. Santana de Parnaíba-SP: Manole, 2023.Tendo o texto apenas como caráter informativo e levando em conta o tema que ele suscita e seus conhecimentos prévios, julgue o item.Para pacientes com idade inferior a 40 anos, recomenda-se a realização apenas de um hemograma completo e coagulograma como exames pré-operatórios.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Pacientes < 40 anos, ASA I e assintomáticos → dispensam exames laboratoriais de rotina.

Resumo-Chave

A solicitação de exames deve ser baseada na anamnese, exame físico e porte cirúrgico, não apenas na idade. Pacientes jovens e saudáveis não necessitam de triagem laboratorial sistemática.

Contexto Educacional

A avaliação pré-operatória evoluiu de um modelo baseado em protocolos fixos por idade para uma abordagem centrada no risco individual e no porte do procedimento. O objetivo principal é identificar condições médicas não diagnosticadas ou otimizar doenças crônicas para reduzir a morbimortalidade perioperatória. O uso excessivo de exames laboratoriais em pacientes de baixo risco gera custos desnecessários, ansiedade e possíveis intervenções baseadas em resultados falso-positivos. As diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia e da American Society of Anesthesiologists enfatizam que a história clínica e o exame físico são as ferramentas mais eficazes para triagem. Exames complementares devem ser guiados por achados clínicos ou pela natureza invasiva da cirurgia proposta.

Perguntas Frequentes

Quais exames são obrigatórios para pacientes saudáveis < 40 anos?

Segundo as principais diretrizes (SBC, ASA), pacientes com menos de 40 anos, classificados como ASA I (saudáveis) e que serão submetidos a procedimentos de pequeno ou médio porte, geralmente não necessitam de exames laboratoriais de rotina. A anamnese e o exame físico são soberanos. Exames como hemograma ou coagulograma só devem ser solicitados se houver suspeita clínica de anemia, sangramento ou se o porte da cirurgia justificar a necessidade de reserva de sangue.

Quando o coagulograma é indicado no pré-operatório?

O coagulograma não deve ser solicitado rotineiramente. Suas indicações precisas incluem: história pessoal ou familiar de distúrbios hemorrágicos, uso de anticoagulantes, hepatopatias, desnutrição grave ou procedimentos de grande porte onde a perda sanguínea estimada é significativa. Em pacientes assintomáticos, o valor preditivo positivo do coagulograma para sangramento perioperatório é extremamente baixo.

A idade isoladamente define a necessidade de ECG?

Não. Embora algumas diretrizes sugiram ECG para homens > 40-45 anos e mulheres > 50-55 anos, a tendência atual é basear a indicação na presença de fatores de risco cardiovascular ou sintomas. Pacientes assintomáticos e sem fatores de risco submetidos a cirurgias de baixo risco não se beneficiam do ECG de rotina, independentemente da idade dentro dessa faixa jovem.

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