Avaliação Pré-operatória: Risco Cardíaco em Diabéticos

UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2015

Enunciado

Toda pessoa, antes de realizar um procedimento cirúrgico, deve ser avaliada para que se determine seu risco pré-operatório. Com relação à avaliação pré-operatória: 

Alternativas

  1. A) O exame de testagem para HIV é indicado em todas as pessoas como rotina.
  2. B) Diabéticos têm indicação de realizar eletrocardiograma. 
  3. C) Existe boa evidência de que pessoas com infecção urinária têm aumento da morbimortalidade operatória.
  4. D) O interrogatório pré-operatório é menos importante que os testes de coagulação, na estimativa do risco de sangramento.
  5. E) Na população assintomática, a morbimortalidade é reduzida com a realização de exames pré-operatórios. 

Pérola Clínica

Diabéticos têm maior risco de DAC assintomática; ECG pré-operatório é indicado para estratificação de risco cardíaco.

Resumo-Chave

Pacientes diabéticos apresentam maior prevalência de doença arterial coronariana (DAC), frequentemente assintomática devido à neuropatia autonômica. Por isso, a realização de um eletrocardiograma (ECG) pré-operatório é fundamental para identificar alterações isquêmicas ou arritmias que possam aumentar o risco cardiovascular durante e após a cirurgia, mesmo em pacientes sem sintomas cardíacos.

Contexto Educacional

A avaliação pré-operatória é um pilar fundamental para a segurança do paciente, visando identificar e otimizar condições clínicas que possam aumentar o risco de morbimortalidade durante e após a cirurgia. O objetivo principal é estratificar o risco individual, planejar a conduta anestésico-cirúrgica e, quando possível, modificar fatores de risco. Uma avaliação cuidadosa pode prevenir complicações e melhorar os desfechos pós-operatórios. Em relação aos exames complementares, a indicação deve ser seletiva e baseada na história clínica, exame físico e fatores de risco do paciente, bem como no tipo de procedimento cirúrgico. Pacientes diabéticos, por exemplo, possuem um risco aumentado de doença arterial coronariana (DAC) assintomática devido à neuropatia autonômica, que pode mascarar sintomas de isquemia. Por essa razão, a realização de um eletrocardiograma (ECG) pré-operatório é uma recomendação importante para esses pacientes, mesmo na ausência de sintomas cardíacos, para auxiliar na estratificação do risco cardiovascular. É um erro comum solicitar uma bateria extensa de exames de rotina para todos os pacientes assintomáticos, pois a evidência mostra que isso raramente reduz a morbimortalidade e pode gerar custos desnecessários e atrasos. O interrogatório e o exame físico são as ferramentas mais poderosas na avaliação pré-operatória. A presença de infecção urinária, por exemplo, deve ser tratada antes de cirurgias eletivas, mas a testagem universal não é indicada. A abordagem deve ser sempre individualizada e baseada em evidências.

Perguntas Frequentes

Por que pacientes diabéticos precisam de eletrocardiograma na avaliação pré-operatória?

Diabéticos têm maior risco de doença arterial coronariana (DAC), que pode ser assintomática devido à neuropatia autonômica. O ECG ajuda a identificar isquemia ou arritmias, otimizando a estratificação do risco cardiovascular perioperatório e o planejamento da conduta.

Quais são os principais fatores de risco cardiovascular a serem avaliados no pré-operatório?

Os principais fatores incluem idade avançada, história de doença cardíaca isquêmica, insuficiência cardíaca, doença cerebrovascular, diabetes mellitus, insuficiência renal e o tipo de cirurgia (alto risco de complicações cardíacas).

Exames de rotina como HIV ou urina são sempre indicados no pré-operatório?

Não, exames de rotina como testagem para HIV ou urocultura em pacientes assintomáticos não são universalmente indicados. A solicitação de exames deve ser individualizada, baseada na história clínica, exame físico e tipo de cirurgia, e não em uma abordagem 'para todos'.

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