HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2022
Homem, 64 anos de idade, diagnosticado com hiperplasia prostática benigna volumosa por seu urologista, sendo indicada prostatectomia aberta por via convencional eletiva. Possui obesidade grau I e hipertensão arterial sistêmica controlada com uso de losartana 100mg/dia e hidroclorotiazida 25mg/dia. Ex-tabagista de longa data. Nega episódios de dispneia em repouso ou ortopneia. Mantém suas atividades diárias domiciliares, porém refere cansaço ao subir quatro degraus de escada e queixa-se de dores nas pernas ao caminhar dois quarteirões, precisando descansar para continuar o trajeto. Diante do caso mostrado, levando-se em consideração a classificação de status físico da Sociedade Americana de Anestesiologistas (ASA), a classificação de capacidade funcional por equivalentes metabólicos de tarefas (METs) e o risco cardiovascular, assinale a alternativa correta:
Paciente com < 4 METs e fatores de risco DAC → avaliação cardíaca pré-operatória obrigatória.
A capacidade funcional (METs) é crucial na avaliação pré-operatória. Pacientes com baixa capacidade (< 4 METs) e fatores de risco para DAC necessitam de avaliação cardíaca aprofundada antes de cirurgias eletivas, para otimizar o risco perioperatório.
A avaliação pré-operatória é um pilar fundamental para a segurança do paciente em procedimentos cirúrgicos, especialmente em cirurgias não cardíacas. O objetivo é identificar e otimizar condições clínicas preexistentes que possam aumentar o risco de morbimortalidade perioperatória. A estratificação de risco cardiovascular é crucial, considerando a alta prevalência de doenças cardiovasculares na população idosa e a associação com eventos adversos durante e após a cirurgia. Dois componentes essenciais dessa avaliação são a classificação de status físico da Sociedade Americana de Anestesiologistas (ASA) e a avaliação da capacidade funcional por equivalentes metabólicos de tarefas (METs). A classificação ASA varia de I (paciente saudável) a VI (morte cerebral), fornecendo uma estimativa geral do risco. No entanto, a capacidade funcional, expressa em METs, é um preditor mais específico do risco cardiovascular. Atividades como subir quatro degraus de escada ou caminhar dois quarteirões geralmente representam menos de 4 METs, indicando uma capacidade funcional limitada. Pacientes com baixa capacidade funcional (< 4 METs) e múltiplos fatores de risco para doença arterial coronariana (DAC), como idade avançada, hipertensão, obesidade e ex-tabagismo, são considerados de risco cardiovascular intermediário a alto. Nesses casos, as diretrizes atuais recomendam uma avaliação cardíaca mais aprofundada, que pode incluir eletrocardiograma, ecocardiograma e, em algumas situações, testes de estresse, antes da programação da cirurgia eletiva. O objetivo é identificar DAC não diagnosticada ou otimizar o manejo de condições cardíacas existentes, reduzindo o risco de eventos adversos perioperatórios.
Os Equivalentes Metabólicos (METs) quantificam a capacidade funcional do paciente, sendo um preditor independente de eventos cardíacos perioperatórios. Pacientes com capacidade < 4 METs têm maior risco e podem precisar de avaliação cardíaca adicional.
Pacientes com baixa capacidade funcional (< 4 METs) e/ou múltiplos fatores de risco para doença arterial coronariana (como idade avançada, HAS, diabetes, dislipidemia, tabagismo) devem ser submetidos a uma avaliação cardíaca mais aprofundada, que pode incluir exames complementares.
A classificação ASA (American Society of Anesthesiologists) avalia o estado físico geral do paciente, mas não substitui a avaliação específica do risco cardiovascular. Um paciente ASA II ou III pode ainda ter um risco cardiovascular elevado que necessite de investigação, especialmente se tiver baixa capacidade funcional.
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