Avaliação Pré-operatória: DAC Assintomática em Cirurgia Não Cardíaca

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2015

Enunciado

Sr. João, 65 anos, é diagnosticado com carcinoma epidermoide de esôfago médio, atingindo a submucosa e, por essa razão, é indicada para esofagectomia. Na avaliação pré-operatória, é submetido a um cateterismo coronariano que demonstra obstrução de 50% de artéria descendente anterior. Outros exames pré-operatórios normais. Nega outras comorbidades, paciente é ex- tabagista, não apresenta sintomas cardiovasculares, faz caminhada acelerada de 4 km cinco vezes por semana. Diante do quadro, qual deve ser a conduta em relação a esse paciente?

Alternativas

  1. A) Encaminhar para realização da esofagectomia.
  2. B) Realizar angioplastia de coronária, antes da esofagectomia.
  3. C) Realizar revascularização do miocárdio, antes da esofagectomia.
  4. D) Contraindicar esofagectomia, devido ao alto risco cardiovascular.

Pérola Clínica

Obstrução coronariana assintomática 50% em paciente ativo → não contraindica cirurgia não cardíaca de alto risco.

Resumo-Chave

Pacientes com doença arterial coronariana (DAC) assintomática e boa capacidade funcional (≥ 4 METs) geralmente não necessitam de revascularização pré-operatória antes de cirurgias não cardíacas de alto risco. A conduta deve ser otimização clínica e monitoramento perioperatório.

Contexto Educacional

A avaliação pré-operatória de pacientes com doença arterial coronariana (DAC) para cirurgias não cardíacas é crucial para otimizar os resultados e minimizar complicações. O foco principal é identificar pacientes com DAC instável ou gravemente sintomática que se beneficiariam de intervenção cardíaca prévia ou adiamento da cirurgia. A estratificação de risco deve considerar a capacidade funcional do paciente, a natureza da cirurgia e a presença de comorbidades. Em pacientes com DAC assintomática e boa capacidade funcional, como o Sr. João, a revascularização miocárdica pré-operatória geralmente não é indicada. Estudos demonstram que a revascularização profilática não melhora os desfechos cardiovasculares em cirurgias não cardíacas de alto risco nesses pacientes. A conduta deve ser a otimização do tratamento clínico da DAC e o monitoramento rigoroso no período perioperatório. A decisão de prosseguir com a cirurgia deve ser individualizada, considerando o risco-benefício da intervenção proposta versus o risco cardíaco. A presença de uma lesão coronariana moderada (50%) em um paciente assintomático e ativo não é uma contraindicação para uma cirurgia de alto risco como a esofagectomia, desde que o paciente esteja clinicamente otimizado e monitorado adequadamente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para revascularização miocárdica pré-operatória em cirurgias não cardíacas?

A revascularização miocárdica pré-operatória é geralmente reservada para pacientes com DAC grave e sintomática, ou aqueles que necessitam de revascularização independentemente da cirurgia não cardíaca, como angina instável ou infarto recente.

Como a capacidade funcional impacta a avaliação de risco cardiovascular pré-operatório?

Uma boa capacidade funcional (≥ 4 METs) é um forte preditor de baixo risco cardiovascular em cirurgias não cardíacas, mesmo na presença de DAC, indicando que o paciente tolera bem o estresse físico.

Qual a importância da obstrução de 50% da artéria descendente anterior em um paciente assintomático?

Uma obstrução de 50% é considerada moderada. Em pacientes assintomáticos e com boa capacidade funcional, essa lesão geralmente não justifica intervenção pré-operatória, mas requer monitoramento e otimização do tratamento clínico.

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