Avaliação Pré-Operatória: Manejo em Cirurgia de Catarata

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2023

Enunciado

Paciente feminina, de 83 anos, com hipertensão e cardiopatia isquêmica (implante de stent coronariano há 10 anos), assintomática, mas com limitação funcional por dores articulares, será submetida a cirurgia de catarata. Vinha em uso de AAS, betabloqueador e hidroclorotiazida. Considerando que a pressão arterial era de 140/80 mmHg, e a frequência cardíaca, de 89 bpm, assinale a assertiva correta sobre o manejo pré-operatório dessa cirurgia.

Alternativas

  1. A) A paciente pode ser liberada para o procedimento sem avaliações adicionais.
  2. B) AAS e betabloqueador devem ser suspensos antes do procedimento.
  3. C) Exames pré-operatórios de rotina para idade (hemograma, função renal, raio X de tórax, eletrocardiografia e testes de coagulação) devem ser solicitados.
  4. D) Eletrocardiografia de esforço (ergometria) é a primeira opção para estratificação do risco cardíaco.

Pérola Clínica

Cirurgia de catarata (baixo risco) em paciente cardíaco estável → Manter AAS e betabloqueador, sem exames adicionais.

Resumo-Chave

Em pacientes com doença cardiovascular estável submetidos a cirurgias de baixo risco (como catarata), a manutenção de medicamentos como AAS e betabloqueadores é geralmente recomendada. A solicitação de exames adicionais sem indicação clínica específica pode gerar custos e atrasos desnecessários.

Contexto Educacional

A avaliação pré-operatória visa otimizar o paciente para o procedimento cirúrgico, minimizando riscos e complicações. Em pacientes idosos com múltiplas comorbidades, como hipertensão e cardiopatia isquêmica, a abordagem deve ser individualizada, considerando o tipo de cirurgia e o estado clínico do paciente. Cirurgias de catarata são classificadas como de baixo risco, com taxa de eventos cardíacos adversos menores que 1%. Para pacientes com doença arterial coronariana estável, a manutenção de medicamentos como o ácido acetilsalicílico (AAS) e betabloqueadores é geralmente recomendada no período perioperatório de cirurgias de baixo risco. A suspensão desnecessária do AAS pode aumentar o risco de eventos trombóticos, especialmente em pacientes com stents coronarianos. A estratificação de risco cardíaco com testes adicionais (como ergometria) é reservada para pacientes com sintomas de isquemia ou para cirurgias de risco intermediário a alto. O manejo pré-operatório deve focar na estabilização de condições crônicas e na identificação de riscos reais, evitando a solicitação indiscriminada de exames que podem levar a resultados falso-positivos, ansiedade e atrasos desnecessários. A decisão de liberar o paciente para cirurgia sem avaliações adicionais, neste cenário de baixo risco e estabilidade clínica, reflete uma conduta baseada em evidências e diretrizes atuais.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores a considerar na avaliação pré-operatória de um idoso?

Na avaliação pré-operatória de idosos, é crucial considerar comorbidades (cardíacas, pulmonares, renais), estado funcional, uso de medicações (especialmente anticoagulantes/antiagregantes) e o risco inerente ao tipo de cirurgia. A fragilidade também é um fator importante.

Quando é necessário suspender o AAS ou betabloqueadores antes de uma cirurgia?

A suspensão de AAS é geralmente considerada para cirurgias de alto risco de sangramento. Para cirurgias de baixo risco, como a de catarata, o AAS é frequentemente mantido. Betabloqueadores devem ser mantidos na maioria dos casos, especialmente em pacientes que já os utilizam cronicamente.

Quais exames pré-operatórios são realmente necessários para cirurgias de baixo risco?

Para cirurgias de baixo risco em pacientes assintomáticos e com comorbidades estáveis, exames de rotina extensos geralmente não são necessários. A decisão deve ser individualizada, focando em exames que alterem a conduta ou identifiquem riscos não evidentes clinicamente.

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