Avaliação Pré-operatória em Cirurgia de Catarata

UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2020

Enunciado

"Mariana inicia trabalho de parto, 39 semanas de gestação. Chega à UBS com contrações 2 em 10, com dilatação 3 cm, com perda vaginal de secreção serosanguinolenta (tampão mucoso). DR. Guilherme entra em contato com o serviço da Maternidade para receber Mariana. Ao adentrar na Maternidade, Paulo é barrado e não permitem sua entrada. Mariana ganha Alice, nascida de parto normal, PN: 3.215g, E: 50cm, PC: 36cm, apgar: 8 e 9. Foi para alojamento conjunto, tendo alta da Maternidade com 72h. Foi orientada a realizar o teste do pezinho na Unidade Básica de Saúde mais próxima à sua casa"". A saúde do homem é uma discussão na atualidade. Ela deve ser foco da atenção do médico de família e comunidade. A Política Nacional de Atenção à Saúde do Homem preza por cuidado integral e abrangente desta população. O pai de Paulo não foi à consulta, mas o filho levou uma situação para Dr. Guilherme. Ele precisa fazer cirurgia de catarata. Paciente de 68 anos, diabético, ex-tabagista importante, hipertenso e com infarto prévio. Está assintomático, pressão sob controle (140/80mmHg) e os seus últimos exames mostravam glicose sob controle. O que deve ser feito?

Alternativas

  1. A) Realizar o risco cirúrgico e orientar o paciente a suspender o AAS por sete dias antes da cirurgia.
  2. B) Encaminhar ao cardiologista.
  3. C) Solicitar ecocardiograma e teste ergométrico e, se estiverem normais, liberar para a realização do procedimento cirúrgico.
  4. D) Uma vez que o paciente tem uma cardiopatia grave, contraindicar a realização do procedimento cirúrgico.

Pérola Clínica

Cirurgia de catarata = baixo risco (<1%) → exames complementares são dispensáveis em pacientes estáveis.

Resumo-Chave

Procedimentos oftalmológicos são de baixo risco cardiovascular. Em pacientes com comorbidades controladas e assintomáticos, a avaliação clínica é suficiente, sem necessidade de testes de estresse.

Contexto Educacional

A avaliação pré-operatória visa identificar pacientes com maior probabilidade de complicações perioperatórias. O Índice de Risco Cardíaco Revisado (Lee) é uma ferramenta útil, mas sua aplicação deve considerar o porte da cirurgia. Pacientes com infarto prévio, mas que estão assintomáticos e com comorbidades (DM, HAS) controladas, não necessitam de reavaliação cardiológica invasiva para procedimentos de baixo impacto hemodinâmico. O foco deve ser a otimização das medicações crônicas e a estabilidade clínica. A decisão de suspender antiagregantes plaquetários deve sempre ponderar o risco hemorrágico do sítio cirúrgico versus o risco de eventos aterotrombóticos, sendo que na oftalmologia moderna, muitas vezes a manutenção é segura.

Perguntas Frequentes

Quando solicitar exames complementares no pré-operatório?

Exames complementares como ECG, ecocardiograma ou testes de estresse só devem ser solicitados se o resultado puder alterar a conduta clínica ou se o paciente apresentar sintomas instáveis, baixa capacidade funcional (< 4 METs) em cirurgias de risco intermediário ou alto. Para cirurgias de baixo risco como catarata, a avaliação clínica soberana geralmente basta.

Como classificar o risco da cirurgia de catarata?

A cirurgia de catarata é classificada como um procedimento de baixo risco cardiovascular, apresentando uma taxa de eventos cardíacos (morte ou infarto não fatal) inferior a 1%. Por esse motivo, a diretriz da SBC e outras sociedades internacionais recomendam uma abordagem conservadora na solicitação de exames pré-operatórios.

Deve-se suspender o AAS em cirurgias oftalmológicas?

Embora o gabarito da questão indique a suspensão por 7 dias, as diretrizes mais recentes sugerem que o AAS pode ser mantido em cirurgias de catarata devido ao baixo risco de sangramento significativo e ao risco trombótico do paciente. No entanto, em provas de residência, a conduta de suspensão de antiagregantes ainda é frequentemente cobrada.

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