UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2025
Um paciente, de 67 anos, com diagnóstico de doença coronariana e histórico de infarto agudo do miocárdio há dois meses, será submetido a uma cirurgia eletiva de grande porte abdominal. Durante a avaliação pré-operatória, foi constatado que o paciente faz uso regular de betabloqueadores e é incapaz de subir dois lances de escada. Qual a melhor conduta para manejo perioperatório cardiológico deste paciente?
IAM recente (<6m) + baixa capacidade funcional + betabloqueador → Manter betabloqueador + Teste funcional pré-operatório.
Pacientes com doença coronariana, IAM recente (2 meses) e baixa capacidade funcional (< 4 METs) apresentam alto risco cardiovascular para cirurgia não cardíaca. Nesses casos, a manutenção dos betabloqueadores é crucial, e uma avaliação mais aprofundada com teste de esforço ou imagem funcional é indicada para estratificar o risco e otimizar o manejo perioperatório.
A avaliação pré-operatória cardiológica é um pilar fundamental na segurança do paciente submetido a cirurgias não cardíacas, especialmente em idosos e naqueles com comorbidades cardiovasculares. O objetivo é estratificar o risco de eventos cardíacos perioperatórios e otimizar o paciente para o procedimento, minimizando complicações. Pacientes com doença coronariana e histórico de infarto agudo do miocárdio (IAM) recente (< 6 meses) são considerados de alto risco. Neste caso, o paciente apresenta múltiplos fatores de risco: idade avançada (67 anos), doença coronariana, IAM há dois meses e baixa capacidade funcional (incapaz de subir dois lances de escada, indicando < 4 METs). A cirurgia abdominal de grande porte também confere um risco elevado. A combinação desses fatores coloca o paciente em um grupo de alto risco para eventos cardíacos perioperatórios. A conduta ideal envolve a manutenção dos betabloqueadores, que já são parte do tratamento da doença coronariana e devem ser continuados no perioperatório para evitar taquicardia de rebote e isquemia. Além disso, devido ao IAM recente e à baixa capacidade funcional, é imperativo realizar uma avaliação mais aprofundada do risco cardíaco através de um teste de esforço ou de imagem funcional (como ecocardiograma de estresse ou cintilografia miocárdica). Essa avaliação ajudará a identificar isquemia residual e guiar decisões sobre a necessidade de revascularização pré-operatória ou outras otimizações clínicas antes da cirurgia, garantindo a máxima segurança para o paciente.
A capacidade funcional é um dos preditores mais fortes de eventos cardíacos perioperatórios. Pacientes com baixa capacidade funcional (incapazes de subir dois lances de escada, ou < 4 METs) têm maior risco e necessitam de avaliação mais aprofundada, como testes de estresse, antes de cirurgias de médio a alto risco.
Em pacientes que já fazem uso crônico de betabloqueadores e são de alto risco (como o caso descrito), a medicação deve ser mantida no perioperatório. A suspensão abrupta pode causar taquicardia de rebote e isquemia miocárdica. A introdução de betabloqueadores em pacientes virgens deve ser feita com cautela e antecedência, se indicada.
Testes de esforço ou de imagem funcional são indicados em pacientes com risco intermediário ou alto para eventos cardíacos, especialmente aqueles com baixa capacidade funcional e fatores de risco cardíacos significativos, como doença coronariana estabelecida ou IAM recente, antes de cirurgias de médio a alto risco.
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